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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PRINCIPAIS TIPOS DE IMPACTO AMBIENTAL

Impacto ambiental deve ser entendido como o efeito significativo no meio. Trata-se de desequilíbrio provocado por um choque, um "trauma ecológico", resultante da ação do homem sobre o ambiente. No entanto, pode ser resultado de acidentes naturais: a explosão de um vulcão, o choque de um meteoro, um raio etc. Mas devemos dar cada vez mais atenção aos impactos causados pela ação do homem. Mas quem é esse homem genérico, agente vago que muitas vezes é responsabilizado por tudo? Quando dizemos que o homem causa os desequilíbrios, obviamente estamos falando do sistema produtivo construído pela humanidade ao longo de sua história. Estamos falando particularmente do capitalismo.

Podemos diferenciar os impactos ambientais em escala local, regional e global. Podemos também separá-los naqueles ocorridos em um ecossistema natural, em um ecossistema agrícola ou em um sistema urbano, embora um impacto, à primeira vista ocorrido em escala local, possa ter também consequências em escala global. Por exemplo, a devastação de florestas tropicais por queimadas para a introdução de pastagens pode provocar desequilíbrios nesse ecossistema natural: extinção de espécies animais e vegetais, empobrecimento do solo, assoreamento dos rios, menor índice pluviométrico, etc., mas a emissão de gás carbônico como resultado da combustão das árvores vai colaborar para o aumento da concentração desse gás na atmosfera, agravando o "efeito estufa". Assim, os impactos localizados, ao se somarem, acabam tendo um efeito também em escala global. Vejamos, a seguir, os principais impactos antrópicos.

Principais impactos ambientais ligados ao solo

Erosão na zona urbana

A erosão corresponde a uma parte do ciclo natural das paisagens e, em alguns casos, também há desmoronamento causado pela interação dos elementos da natureza. Contudo, com o aumento exponencial da população, principalmente o ocorrido entre as décadas de 60 e 80 (Brasil), e com a dinâmica de migração, constatou-se uma concentração populacional urbana muito além do que a infra-estrutura das cidades, sobretudo das capitais, pôde suportar. Uma das principais consequências são as moradias em locais inadequados, como encostas de morros. Para que haja a então expansão urbana – desordenada – vastas áreas de encostas são desmatadas. Estando o solo descoberto, a precipitação (chuvas) incide diretamente neste, removendo o material superficial e infiltrando subsuperficialmente, o que retira também os compostos de consistência (argila, por exemplo) e, assim, desestrutura-o e causa deslizamentos.

Voçoroca. Fonte: http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/interacao/inter08b.html (acessado em 03/09/2010)

A erosão urbana é um dos principais problemas ambientais que afetam as cidades. Ela assume formas assustadoras, destruindo a infra-estrutura (ruas, guias, sarjetas, redes de água e esgoto, etc.), causando assoreamento nos reservatórios e leito dos rios, e agravando mais as enchentes. A ocupação intensa dos terrenos próximos às erosões multiplica os riscos de acidentes. Além disso, geralmente as grandes erosões (denominadas voçorocas) se tornam áreas de despejo de lixo, transformando em focos de doenças.

Agropecuária e erosão

No âmbito rural, a erosão é causada, principalmente, pelo inadequado manejo agrícola. Muitos trabalhadores rurais utilizam técnicas arcaicas, como as queimadas da agricultura itinerante, que empobrecem o solo com a carbonização excessiva e induzida. Outros usam, amplamente, adubos químicos; estes, por sua vez, causam a expansão celular (as membranas ficam mais finas) dos vegetais cultivados e com isso aumentam muito o seu teor de água, deixando o ambiente suscetível a pragas. Além disso, a maior parte dos componentes do adubo químico são lixiviados para lagos, rios e lençóis freáticos, poluindo-os, ou permanecem um pouco mais de tempo no local onde foi colocado, reagindo em meio aquoso, interferindo na salinidade e modificando a estrutura físico-química, o que facilita o transporte das partículas de solo. Além disso, muitos cultivos são feitos em formas lineares que seguem o sentido da encosta ou declive, o que, juntamente com o arejamento, proporciona condições desfavoráveis à fixação do solo entre as “linhas de cultivo”, principalmente mediante as chuvas.

A pecuária, por sua vez, acelera o creeping, que é um movimento de massa laminar lento. O gado, por exemplo, ao pisotear encostas de colinas e morros, exerce pressão suficiente para acelerar o movimento do solo e, com isso, intensificar a dinâmica do relevo em áreas por onde as águas são drenadas em maior quantidade, aumentando a instabilidade.

A retirada de vegetação para o uso e/ou ocupação, portanto, é o principal fator determinante da erosão. Como exemplo, temos o assoreamento dos rios, que é resultante da retirada da vegetação das margens (ciliar) para fins diversos (agricultura, moradia, ampliação do acesso), o que diminui a consistência do solo, que tem suas partículas facilmente levadas pelo curso d’água, deixando-o raso e mais largo.

O combate à erosão

Com o objetivo de anular ou pelo menos minimizar os problemas causados pela erosão em áreas agrícolas, foram desenvolvidas técnicas.

- Terraceamento: consiste em fazer cortes formando degraus - os terraços - nas encostas das montanhas, o que, além de possibilitar a expansão das áreas agrícolas em países montanhosos e populosos, dificulta, ao quebrar a velocidade de escoamento da água, o processo erosivo. Essa técnica é muito comum em países asiáticos, como a China, o Japão, a Tailândia; o Nepal, etc.

- Curvas de nível: esta técnica consiste em arar o solo e depois fazer a semeadura seguindo as cotas altimétricas do terreno, o que por si só já reduz a velocidade de escoamento superficial da água da chuva. Para reduzi-la ainda mais, é comum a construção de obstáculos no terreno, espécies de canaletas, com terra retirada dos próprios sulcos resultantes da aração. Com esse método simples, a perda de solo agricultável é sensivelmente reduzida. O cultivo seguindo as curvas de nível é feito em terrenos com baixo declive, propício a mecanização. É comum em países desenvolvidos, onde a agricultura é bastante mecanizada: Grandes Planícies, nos EUA e no Canadá; planície Champagne, na França; Grande Bacia Australiana, etc.

- Associação de culturas: em cultivos que deixam boa parte do solo exposto à erosão (algodão, café, etc.), é comum plantar, entre uma fileira e outra, espécies leguminosas (feijão, por exemplo), que recobrem bem o terreno. Essa técnica, além de evitar a erosão, garante o equilíbrio orgânico do solo.

Fonte: http://www.itambe.com/Cmi/Media.aspx?1636

Poluição: lixo nos solos

Com o aumento da industrialização, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala, aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das cidades fez com que as áreas disponíveis para colocar o lixo se tornassem escassas. A sujeira acumulada no ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as condições de saúde das populações.

Hoje, no Brasil, são produzidas cerca de 80.000 toneladas de lixo por dia. Dessa quantidade enorme, apenas 42.000 toneladas são coletadas; o resto é jogado em terrenos baldios, rios, enterrado, queimado etc. Apenas a cidade de São Paulo produz cerca de 12.000 toneladas de lixo por dia. Atualmente, a maior parte desse lixo coletado é depositada em aterros, "lixões" que nem sempre obedecem aos padrões de segurança e higiene, compondo de modo indesejado a paisagem e gerando mau-cheiro, presença de animais nocivos e doenças. Isso leva na verdade a dois problemas principais o tratamento dessa enorme quantidade de lixo e o desperdício de recursos naturais. Uma direção para lidarmos com o lixo é dada pela redução e reciclagem.

Esquema de aterro sanitário com padrões de higiene e segurança. Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Solo/Solo12.php (acessado em 03/09/2010)

O chorume, líquido escuro resultante do apodrecimento de diversas massas orgânicas juntamente com suas substâncias líquidas e até metais pesados, quando não drenados adequadamente apodrecem o solo, tornando-o improdutivo (em caso de poluentes mais “fortes”) ou indevidamente produtivos (contaminando uma vasta área de produção). Enquanto parte do composto do chorume fica retida no solo, causando reações químicas que prejudicam o ecossistema, grande parte percola até o lençol freático e até mesmo cursos d’água superficiais, causando um ciclo de contaminação do solo, uma vez que muitos agricultores utilizam água de poços e corpos d’água mais próximos à cultura, para a irrigação.

Chorume (líquido escuro). Fonte: http://static.hsw.com.br/gif/landfill-leachate-seepage.jpg (acessado em 03/09/2010)

Poluição com agrotóxicos

A padronização dos cultivos, ou seja, o plantio de uma única espécie em grandes extensões de terra - nos EUA, por exemplo, há a predominância de determinada cultura em algumas regiões do país, definindo os cinturões (belts) do trigo (wheat-belt), do milho (corn belt), do algodão (cotton belt) etc. – tem causado desequilíbrios nas cadeias alimentares preexistentes, favorecendo a proliferação de vários insetos, que se tornaram verdadeiras pragas com o desaparecimento de seus predadores naturais: pássaros, aranhas, cobras etc. Por outro lado, a maciça utilização de agrotóxicos, na tentativa de controlar tais insetos, tem levado, por seleção natural (quando só se reproduzem os elementos imunes ao veneno), à proliferação de linhagens resistentes, forçando a aplicação de inseticidas cada vez mais potentes. Isso, além de causar doenças nas pessoas que manipulam e aplicam esses venenos e naquelas que consomem os alimentos contaminados, tem agravado a poluição dos solos. A utilização indiscriminada de agrotóxicos tem acelerado a contaminação do solo, empobrecendo-o, ao impedir a proliferação de microorganismos fundamentais para a sua fertilidade.

Principais impactos ambientais ligados à vegetação

As florestas são o habitat mais rico e diversificado do planeta. Entretanto, são elas as maiores vítimas do "progresso". Desde o início de sua ocupação, o Brasil enfrenta o problema dos desmatamentos. O desmatamento contribui para o esgotamento das fontes de água natural, deixa o solo sem proteção, interfere na fauna, destrói espécies da flora, contribui para a poluição da água, do ar, das chuvas ácidas e do efeito estufa.

O desmatamento da vegetação brasileira teve início no século XVI, resultante da chegada dos portugueses e seus interesses no lucro com espécimes da Mata Atlântica, em especial com a venda de pau-brasil na Europa. Desde então, o desmatamento tem sido uma constante. Depois da Mata Atlântica foi a vez da floresta Amazônica sofrer as consequências da derrubada. Em busca de madeiras de lei como o mogno, por exemplo, empresas madeireiras se instalaram na região amazônica para fazer a exploração ilegal. Embora os casos da floresta Amazônica e da mata Atlântica sejam os mais problemáticos, os desmatamentos ocorrem em diversos biomas do país. Além da derrubada predatória para fins econômicos, outra forma de atuação do homem tem provocado o desmatamento: as frentes agrícolas. Neste caso, os agricultores derrubam quilômetros de vegetação para o plantio. A soja é um dos principais produtos que, no Brasil, teve seu cultivo entreposto no bioma de cerrado, devastando-o, e expande suas fronteiras agrícolas em direção à Amazônia.

Desmatamento na Amazônia. Fonte:http://www.amata.jex.com.br/desmatamento+na+amazonia/desmatamento+na+amazonia+extingue+26+especies+e+ameaca+644+diz+ONU (acessado em 03/09/2010)

O crescimento das cidades também tem provocado a diminuição das áreas verdes. O crescimento populacional e o desenvolvimento das indústrias demandam áreas amplas nas cidades e arredores. Áreas enormes de matas são derrubadas para a construção de condomínios residenciais e polos industriais. Rodovias também seguem neste sentido: cruzando o Brasil podemos perceber que os projetos rodoviários provocam a derrubada de grandes faixas verdes.

Da mata Atlântica do Brasil só restam 8%.

Porém, o desmatamento não é um problema exclusivo do Brasil, entretanto mundial. Nos países em desenvolvimento, principalmente os asiáticos como a China, quase toda a cobertura vegetal foi explorada. Os Estados Unidos e a Rússia também destruíram suas florestas, restando, na maioria das ocorrências, áreas de preservação isoladas e projetos de reflorestamento.

As principais causas são, portanto, a extração da madeira para construção civil, exploração agropecuária (monocultura e grandes latifúndios) e industrial, comercialização inadequada de madeira, falta de consciência, falta de controle e manuseio de áreas e demanda por carvão, madeira, que é um forte fomento para este ciclo.

As queimadas também representam grande ameaça à flora e fauna. A prática de realizar queimada promove uma série de problemas de ordem ambiental, tal fato tem ocorrido em diferentes pontos do planeta, os países subdesenvolvidos são os que mais utilizam esse tipo de recurso.

As queimadas são mais frequentes em áreas rurais que praticam técnicas rudimentares de preparo da terra, quando existe uma área na qual se pretende cultivar, o pequeno produtor queima a vegetação para limpar o local e preparar o solo, esse recurso não requer investimentos financeiros.

Do ponto de vista agrícola, o ato de queimar áreas para o desenvolvimento da agricultura é uma ação totalmente negativa, uma vez que o solo perde nutrientes, além de exterminar todos os microrganismos presentes no mesmo que garante a fertilidade, dessa forma, a fina camada da superfície fica empobrecida e ao decorrer de consecutivos plantios a situação se agrava gradativamente resultando na infertilidade.

Outra questão que deriva das queimadas é o aquecimento global, pois a prática é a segunda causa do processo, ficando atrás somente da emissão de gases provenientes de veículos automotores movidos a combustíveis fósseis. Isso acontece porque as queimadas produzem dióxido de carbono que atinge a atmosfera agravando o efeito estufa e automaticamente o aquecimento global.

As queimadas praticadas para retirar a cobertura vegetal original para o desenvolvimento agrícola e pecuária provocam uma grande perda de seres vivos da fauna e da flora, promovendo um profundo desequilíbrio ambiental, às vezes em níveis sem precedentes.

No caso específico do Brasil, as queimadas tem sido responsáveis pela diminuição de importantes domínios brasileiros, principalmente a floresta Amazônica e o Cerrado, duas áreas intensamente exploradas pela agropecuária, o segundo é o mais agredido, pois segundo estimativas restam menos de 20% da vegetação original, pois o restante já foi ocupado por lavouras e pastagens e o primeiro nos últimos anos tem atraído muitos produtores, isso certamente causará grandes impactos em uma das áreas mais importantes do mundo e que deve ser conservada para as próximas gerações.

Queimada. Fonte: http://2.bp.blogspot.com/_HSPa4TIwoXA/S-1DgapBS4I/AAAAAAAAAPg/hJRiFQt8YUA/s320/queimadas.bmp (acessado em 03/09/2010)

Então, as principais causas das queimadas são: de ordem histórica e cultural, mau hábito de colocar fogo em lixo, terrenos baldios, áreas de córregos e margens de rodovias; especulação econômica vinculada ao aumento da monocultura; negligência, falta de fiscalização e impunidade.

Como possíveis soluções, é essencial que se cumpra, simultaneamente: o respeito à legislação existente; incentivar ações visando o uso sustentável e a compensação para proteção de áreas de interesse ambiental; implantar programas permanentes de educação ambiental; pesquisar e divulgar alternativas; instrumentalizar instituições para o combate às queimadas; capacitar os “limpadores de terreno”; e manter mecanismos de comunicação formal e informal, para um combate eficiente.

As consequências das interferências na vegetação são drásticas, como nos diversos componentes do ecossistema global, sendo que esta possui relações intrínsecas de causa e consequência bastante perceptíveis, que servem como indicadores ambientais. A primeira consequência do desmatamento é a destruição da biodiversidade, como resultado da diminuição ou, muitas vezes, da extinção de espécies vegetais e animais. As florestas tropicais têm uma enorme biodiversidade e um incalculável valor para as futuras gerações. Muitas espécies que podem ser a chave para a cura de doenças, usadas na alimentação ou como novas matérias-primas, são totalmente desconhecidas do homem urbano-industrial e correm o risco de serem destruídas antes mesmo de conhecidas e estudadas. Esse patrimônio genético é bastante conhecido pelas várias nações indígenas que habitam as florestas tropicais, notadamente a Amazônia. Mas essas comunidades nativas também estão sofrendo um processo de genocídio e etnocídio que tem levado à perda de seu patrimônio cultural, dificultando, portanto, o acesso aos seus conhecimentos.

Um efeito muito sério, local e regional, do desmatamento é o agravamento dos processos erosivos. A erosão é um fenômeno natural, que é absorvido pelos ecossistemas sem nenhum tipo de desequilíbrio. Em uma floresta, as árvores servem de anteparo para as gotas das chuvas, que escorrem pelos seus troncos, infiltrando-se no subsolo. Além de diminuir a velocidade de escoamento superficial, as árvores evitam o impacto direto das chuvas como o solo e suas raízes ajudam a retê-lo, evitando a sua desagregação. A retirada da cobertura vegetal expõe o solo ao impacto das chuvas. As conseqüências dessa interferência humana são várias:

- aumento do processo erosivo, o que leva a um empobrecimento dos solos, como resultado da retirada de sua camada superficial e, muitas vezes, acaba inviabilizando a agricultura;

- assoreamento de rios e lagos, como resultado da elevação da sedimentação, que provoca desequilíbrios nesses ecossistemas aquáticos, além de causar enchentes e, muitas vezes, trazer dificuldades para a navegação;

- extinção de nascentes: o rebaixamento do lençol freático, resultante da menor infiltração da água das chuvas no subsolo, muitas vezes pode provocar problemas de abastecimento de água nas cidades e na agricultura;

- diminuição dos índices pluviométricos, em conseqüência do fenômeno descrito acima, mas também do fim da evapotranspiração. Estima-se que metade das chuvas caídas sobre as florestas tropicais são resultantes da evapotranspiração, ou seja, da troca de água da floresta com a atmosfera;

- elevação das temperaturas locais e regionais, como conseqüência da maior irradiação de calor para a atmosfera a partir do solo exposto. Boa parte da energia solar é absorvida pela floresta para o processo de fotossíntese e evapotranspiração. Sem a floresta, quase toda essa energia é devolvida para a atmosfera em forma de calor, elevando as temperaturas médias;

- agravamento dos processos de desertificação, devido à combinação de todos os fenômenos até agora descritos: diminuição das chuvas, elevação das temperaturas, empobrecimento dos solos e, portanto, acentuada diminuição da biodiversidade;

- redução ou fim das atividades extrativas vegetais, muitas vezes de alto valor socioeconômico. É importante, a preservação da floresta, que pode ser explorada de forma sustentável, do que sua substituição por outra atividade qualquer;

- proliferação de pragas e doenças, como resultado de desequilíbrios nas cadeias alimentares. Algumas espécies, geralmente insetos, antes em nenhuma nocividade, passam a proliferar exponencialmente com a eliminação de seus predadores, causando graves prejuízos, principalmente para a agricultura.

Além desses impactos locais e regionais da devastação das florestas, há também um perigoso impacto em escala global. A queima das florestas, seja em incêndios criminosos, seja na forma de lenha ou carvão vegetal para vários fins (aliás, a queima de carvão vegetal vem aumentando muito na Amazônia brasileira, como resultado da disseminação de usinas de produção de ferro gusa, principalmente no Pará), tem colaborado para aumentar para aumentar a concentração de gás carbônico na atmosfera. É importante lembrar que esse gás é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

Principais impactos ambientais ligados à água

Poluição de rios e lagos

O processo de poluição dos rios e lagos se deve à quantidade de “alimentos” lançados nas águas. Os esgotos domésticos, muitos tipos de resíduos industriais, os dejetos agrícolas e especialmente os pecuários, são constituídos preponderantemente de matéria orgânica, elemento que serve de alimento aos seres aquáticos, sejam peixes, sejam bentos, plâncton, bactérias, etc.

O meio aquático precisa de alimento, porém o excesso gera poluição. O mesmo alimento que vai fazer proliferar todos os segmentos da vida aquática, resultará em uma enorme taxa de consumo de oxigênio. O consumo de oxigênio no ambiente será maior que seu fornecimento, que nas águas vêm através da superfície (ventos e principalmente chuvas), e pela produção fotossintética das plantas aquáticas. Muitas vezes a quantidade de matéria orgânica lançada turva a água a ponto de impedir, pelo sombreamento, a atividade fotossintética. Quando a taxa de oxigênio do meio, chega a níveis mínimos, a vida que dele depende, desaparece.

Rio Yamuna, Filipinas. Fonte: http://colunistas.ig.com.br/obutecodanet/files/2009/06/poluicao5.jpg (acessado em 08/09/2010)

Assim, quanto maior o volume de matéria orgânica – esgotos – for lançado em um corpo d’água, maior será o consumo (demanda) de oxigênio usado na respiração dos seres aquáticos (em especial, das bactérias decompositoras). Como esta demanda (consumo) é resultado de uma atividade biológica ou bioquímica, diz-se que houve uma Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO, cujo valor é medido a partir do volume ou concentração assimilável da matéria orgânica, pelas bactérias aeróbicas, ou seja, das que necessitam do oxigênio em seu metabolismo.

A ação destas bactérias na degradação da matéria orgânica produz gás carbônico resultante da oxidação (perda de elétrons) e água, resultante da redução do oxigênio (ganho de elétrons). Quando todo o oxigênio se extingue, as bactérias e outros seres que dependem do oxigênio para a respiração também são extintos e em seu lugar surgem outros seres microscópicos capazes de se alimentar e “respirar” na ausência do oxigênio. Estas bactérias são chamadas anaeróbicas.

Tanto a atividade aeróbica quanto a anaeróbica é chamada de decomposição. São realizadas por microorganismos em seus processos naturais de nutrição e respiração, usando a matéria orgânica como fonte de energia e matéria prima para formação de suas células.

Assim, para evitar que um produto entre em decomposição, cria-se condições desfavoráveis à proliferação dos microorganismos decompositores. Os meios para isto são conhecidos: aquecimento, resfriamento, dessecamento e uso de substâncias tóxicas. Há ambientes na Terra desfavoráveis à atividade bacteriana: nas zonas glaciais, animais pré-históricos congelados se mantém inteiros; nas regiões extremamente áridas, os animais mortos desidratam sem apodrecer.

Como consequência desse tipo de poluição, temos a perda da biodiversidade e a propagação de diversas doenças, seja pelo consumo da água, pela utilização na agricultura ou, simplesmente, pela proximidade da moradia, principalmente em áreas sem saneamento básico.

Impactos nos oceanos e mares

Mais de 40% da superfície oceânica está sob forte pressão das atividades antrópicas e correm o sério risco de se transformar em desertos biológicos. Os estudos mostraram que os oceanos apresentam mais de 400 zonas mortas, com baixo nível de oxigênio na água e pouca ou nenhuma vida marinha.

Dentre as causas da poluição marinha está o enorme despejo de esgoto não-tratado e de efluentes industriais, sem qualquer preocupação com as possíveis consequências.
Oitenta e cinco por cento (85%) dos bilhões de toneladas de material poluente despejados anualmente nos oceanos provêm dos continentes. Noventa por cento desse material permanece na área costeira, criando sérios problemas ambientais e de saúde.

Em todo o mundo, grande quantidade de esgoto doméstico é despejada no mar, mas somente uma parte é previamente tratada. O oxigênio e as bactérias do mar ajudam bastante a neutralizar o esgoto, tornando-o menos ofensivo e permitindo que seja usado por animais e plantas, afinal, o mar está cheio de detritos que os animais produzem o tempo todo. Porém, a quantidade que é lançada é muito superior à sustentável. O grande problema de tratar a água do esgoto é que é um processo que custa caro.

Muitas cidades urbanas são densamente habitadas e possuem indústrias pesadas. Uma grande quantidade de despejos industriais é lançada diretamente no mar ou chega até ele através dos rios nos quais é despejada. Enquanto o esgoto doméstico é orgânico e pode ser reciclado pelo mar, grande parte do esgoto industrial é inorgânica, não se decompondo facilmente. Gradualmente, esses dois tipos de esgotos se somam, causando cada vez mais poluição. Mais de 100 mil produtos químicos diferentes têm como destino final o mar e, com frequência. A maior parte permanece nas águas costeiras, porém, como o oceano é um vasto sistema móvel, os compostos químicos vão lentamente se espalhando por ele.

Além disso, até a chuva que cai no mar, compondo o ciclo hidrológico, é contaminada com poluentes atmosféricos oriundos das chaminés das fábricas, das unidades de aquecimento central e dos escapamentos dos veículos.

Estima-se que a população de peixes grandes e mais lucrativos para a atividade da pesca comercial, como o atum, o marlin e as espécies de bacalhau, tenha diminuído em até 90% no último século. Mais de 70% dos recursos pesqueiros estão esgotados ou já excederam seu limite sustentável. No Brasil, entre as espécies marítimas mais ameaçadas estão os cações e os meros, a sardinha e as lagostas, que, no passado, eram mais frequentes no litoral nordestinos. A pesca excessiva e a destruição dos manguezais, nos quais se localizam algumas das principais fontes mais importante de alimento dos peixes, bem como representam berçários, estão entre as causas da perda de espécies brasileiras, mas não são as únicas. O problema do empobrecimento da biodiversidade não afeta apenas os ambientes marinhos, visto que a interferência do homem causa a perda de espécies, bem mais rapidamente do que em outras épocas, em todos os ambientes de sua abrangência.

Esgoto e sedimentos (Jacarepaguá - RJ).

Fonte: http://www.biologo.com.br/MOSCATELLI/junho2008/MAR_POLUIDO.jpg (acessado em 08/09/2010)

O desastre ecológico no Golfo do México

Com uma superfície aproximada de 1.550.000 km², o Golfo do México é o maior Golfo do mundo. É composto por trechos dos continentes da América do Norte e Central. Banha os estados mexicanos de Tamaulipas, Veracruz, Tabasco, Campeche, Lunatão e Quintana Roo; no território norte-americano banha os estados da Flórida, Alabama, Mississipi, Louisiana e Texas; e ainda banha a costa sudeste de Cuba. Através do Estreito da Flórida, encontra-se conectado ao oceano Atlântico e, pelo Canal de Yucatán ao mar do Caribe. A Baía de Campeche, pertencente ao México, é a maior do golfo, que ainda recebe o delta do rio Mississipi.

O Golfo do México é rico em petróleo, mais notadamente a oeste. Além da extração do “ouro negro”, há atividades econômicas referentes à pesca, indústria naval, indústria petroquímica, fabricação de papel e turismo. As principais cidades costeiras dos EUA são Tampa, Pensacola, Nova Orleans, Houston; do México são Veracruz e Mérida; e Havana, capital de Cuba.

Em 20 de abril de 2010, no Golfo do México, ocorreu o maior desastre ecológico dos Estados Unidos, referente a uma das principais e mais graves causas de poluição das águas.

Uma plataforma de petróleo da empresa britânica Beyond Petroleum (“Além do Petróleo”, BP, ex- British Petroleum), localizada a cerca de 80 km do litoral do estado de Louisiana, explodiu e, por uma falha no sistema de segurança, deixou aberta a tampa do poço de onde era extraído o petróleo, a 1,5 quilômetro de profundidade. Dois meses após a explosão, especialistas do governo americano estimavam que o óleo jorrava a uma média diária de até 60 mil barris. É difícil mensurar os danos ao meio ambiente. O óleo e os dispersantes (detergentes utilizados para tornar menor as partículas do óleo de modo que ele se dilua na água e possa ser digerido pelas bactérias marinhas) poderão afetar gravemente cerca de 2 mil espécies que vivem nas águas profundas. Na superfície, os estados mais afetados foram o Mississipi, Alabama, Louisiana e Flórida. Na Louisiana, que possui 40%dos pântanos e mangues norte-americanos, o governo identificou 210 espécies de pássaros, répteis, anfíbios e mamíferos afetados pelo vazamento.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/8341917.jpg (acessado em 08/09/2010)

O relatório em que a BP compilou as conclusões das investigações ao acidente que provocou o maior derrame da história dos Estados Unidos, cita mais de 8 erros ou falhas e distribui a culpa do acidente pelos seus engenheiros e duas empresas com que trabalhava na exploração. As falhas começaram com a cimentação do poço, pela qual estava responsável a Halliburton e continuaram de seguida, com a interpretação errada da leitura de um teste de pressão, pelos responsáveis da BP e da Transocean, dona do poço, segundo a Bloomberg que cita o sumário executivo do relatório divulgado pela BP.

A Transocean era a dona do poço e estava responsável pela sua perfuração, enquanto a BP, que lhe alugou a sua exploração, supervisionava as operações e a Halliburton era responsável por forrar o interior do poço com cimento.

O relatório concluiu ainda que os responsáveis da BP, que se encontravam no poço, interpretaram de forma errada um relatório de estabilidade do poço feito a 20 de Abril, dia da explosão e procederam a substituição do fluído da perfuração.

A substituição do fluido, que é mais pesado do que gás natural e petróleo, por água do mar, permitiu que uma infiltração de gás natural no poço, provocasse a explosão em que morreram 11 pessoas e que provocou um derrame que durou 87 dias e que provocou uma desvalorização de 38% das ações da BP, bem como centenas de processos de compensação de pessoas cuja atividade profissional dependia do Golfo do México.

Foto de satélite mostrando a mancha de petróleo. Fonte: http://www.vooz.com.br/imagem/noticias/m_mancha_13f0306ce9cd4936e620a72e3e1d35e2.jpg (acessado em 08/09/2010)

Portanto, a poluição das águas por petróleo causa grandes desastres ecológicos porque esta substância não permite, ou reduz significativamente, que a luz do Sol penetre na água, inviabilizando o processo de fotossíntese da vegetação aquática. Sem oxigênio e alimento, a morte dos peixes, em grande escala, é inevitável. Alguns animais morrem impregnados no óleo, por asfixia.

As aves que se alimentam de peixe também acabam morrendo ou acabam contaminando os demais animais da sua cadeia alimentar. Suas penas, que servem para manter o corpo aquecido nas épocas de frio, criando uma espécie de 'colchão' de ar quente quando arrepiadas, com o óleo perdem essa função, causando-lhes a morte pelo frio.

Todo o ecossistema aquático da região e de grande extensão dos arredores fica comprometido. As regiões costeiras atingidas, além dos prejuízos ambientais, acabam sofrendo perdas muitas vezes irreparáveis nas suas atividades econômicas, sendo diretamente atingidas as atividades de pesca e de turismo e indiretamente todas as demais atividades.

O derramamento de petróleo é considerado um dos maiores e mais graves desastres ecológicos. Os ecossistemas locais, quando afetados, só conseguem se recompor após dezenas de anos, desde que sejam 'limpos' rapidamente e desde que não haja mais nenhum outro problema sério nesse longo período.

O desastre ecológico do mar de Aral

O mar de Aral está localizado na fronteira entre o Cazaquistão e Uzbequistão (Ásia Central). Sofreu um dos mais graves casos de impacto ambiental no mundo. Nos últimos 40 anos suas águas foram diminuindo até perder 90% do volume inicial de água, de 1,1 mil quilômetros cúbicos. Na origem do problema está a política da ex-União Soviética de drenar as águas dos principais rios que deságuam no mar de Aral – o Amu Daria e o Sir Daria – para a irrigação mal planejada de extensas áreas agrícolas, para o cultivo, principalmente, de algodão, numa corrida desenfreada por uma demonstração de auto-suficiência econômica. Entre outras consequências, o recuo do imenso lago salgado ampliou as áreas desérticas e diminuiu drasticamente a flora e a fauna locais.

O Mar de Aral, um lago terminal alimentado por dois rios principais, (Sir Daria e Amu Daria) forma uma fronteira natural entre o Cazaquistão e o Uzbequistão. Era o quarto maior lago mundial em 1960; hoje, está em vias de desaparecer num pequeno e sujo poço. A destruição do Mar de Aral é um exemplo de como uma tragédia ambiental e humanitária pode ameaçar rapidamente toda uma região. Tal destruição constitui um caso clássico de desenvolvimento não-sustentado. Vale a pena estudá-lo, pois, de certa forma, prefigura o que poderá acontecer a nível planetário se a humanidade continua a desperdiçar recursos finitos como a água.


O mar de Aral e toda a bacia do lago ganhou notoriedade mundial como uma das maiores degradações ambientais do Século XX causadas pelo homem. A União Geográfica Internacional destacou a bacia Aral, nos começos dos anos 90, como uma das zonas críticas da terra (Kasperson, 1995). É também referida como a “Chernobyl Calada”, uma catástrofe silenciosa que evoluiu lentamente, quase imperceptivelmente, ao longo das últimas décadas (Glantz e Zonn, 1991). A redução do mar de Aral, captou a atenção e o interesse de governos, organizações ambientais e de desenvolvimento, leigos e comunicação social nos últimos anos em todo o mundo (Ellis, 1990). A partir de meados dos anos 80, quando os soviéticos abriram as portas ao abrigo da política de glasnost (abertura), a situação do Mar de Aral ganhou a fama, junto de muitos observadores estrangeiros, de uma calamidade ambiental (Glantz, 1998). Desde então que os cientistas têm vindo a exigir muito mais energicamente a salvação do Mar de Aral. Infelizmente, por essa altura, já o Mar de Aral estava reduzido a um terço do seu tamanho original. Apesar de ser novamente motivo da comunicação social mundial, e debatido, com uma nova abertura na União Soviética, era uma situação de crise conhecida que estava na agenda dos políticos da Federação por mais de 30 anos.

Imagem de satélite do Mar de Aral (parte mais escura) em 1964. Fonte: http://1.bp.blogspot.com/_2U7-cSpQnOc/SwxDqOGue7I/AAAAAAAAALY/V5Fcr3QudjI/s1600/Aral_1964.jpg

O Mar de Aral fica situado a aproximadamente 600 km do Mar Cáspio. Costumava haver nele mais de 1.100 ilhas, separadas por lagoas e estreitos apertados, que deram ao mar o seu nome; na língua cazaque, Aral significa 'ilha'. No presente, a Kok Aral, a maior de todas as ilhas (é agora uma península) dispersas pelo Mar de Aral, separa a parte nordeste, chamada Pequeno Aral, da parte sudoeste, chamada o Grande Aral. Esta forma a fronteira natural entre Casaquistão e Uzbequistão, que partilham entre si o lago. As duas partes estão ligadas pelo estreito de Berg.

Embora seja chamado um mar, na realidade é um lago terminal, alimentado por dois rios principais: Sir Daria, no norte, e Amu Daria, no sul. Este último, o maior rio da região, começa nas montanhas de Kunlun na cordilheira Hindu Cushe, dirige-se para noroeste através dos Montes Pamir e depois passa pelo Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão (que forma fronteira com o Afeganistão), Turcomenistão, e volta a passar por Uzbequistão antes de entrar no Mar de Aral.

O Sir Daria que começa na base norte das montanhas Tien Shan no Quirguistão, corre através de Tadjiquistão, Uzbequistão, Cazaquistão e depois entra no Mar de Aral. Por conseguinte, embora o Mar de Aral se situe entre Uzbequistão e Cazaquistão, todos os cinco estados da Ásia Central compartilham a bacia do Mar de Aral, uma área de 690 mil quilômetros quadrados. Os caudais destes dois sistemas fluviais perenes sustentavam um nível estável no Mar de Aral.

Ao longo dos séculos, cerca de metade do caudal dos dois rios alcançou o mar de Aral. Um vasto delta sustentava uma prolífica atividade pesqueira. No lago, encontrava-se uma variedade de espécies de peixes que eram pescados, incluindo certas espécies que só existiam no mar de Aral, entre eles o famoso esturjão de Aral. As suas águas alimentavam indústrias de pesca locais com capturas superiores a 40 mil toneladas anuais, enquanto os deltas dos seus principais afluentes abrigavam dezenas de lagos menores e terrenos alagadiços de grande riqueza biológica. Florestas cerradas de juncos e canas, algumas vezes estendendo-se vários quilômetros em direção ao mar, rodeavam as margens do lago. À volta do lago e no delta fluvial, viviam grandes populações de saikas (antílopes), javalis selvagens, lobos, raposas, almíscares, perus, gansos e patos. O mar Aral era como um grande oásis no deserto. Durante muitos séculos, as estepes e as regiões semiáridas abrigaram vários grupos étnicos. Antes da chegada da Rússia Imperial, a população que vivia na área do mar de Aral era, predominantemente, nômade. Este modo de vida era, até certo ponto, essencial, devido às condições de desertificação ambiental. O clima é fortemente continental e a paisagem é do tipo semi-árida. A precipitação anual é de cerca de 200 mm. É elevado o grau de dificuldade da prática de agricultura com esta quantidade de chuva. Somente na zona perto dos dois rios era favorável a praticar agricultura e por esse motivo, as pessoas que estavam afastadas das margens dos rios, viviam unicamente da criação de gado.

A primeira tarefa do governo imperial russo foi fixar a população em comunidades agrícolas. Perceberam que uma terra seria boa para agricultura se houvesse água disponível. No final do século XIX, cultivou-se algodão a uma relativamente larga escala quando se introduziram novas tecnologias de irrigação. Foram abertos canais para facilitar o processo de irrigação e uma boa proporção da produção agrícola da Ásia Central estava completamente dependente da irrigação. Nos anos que se seguiram à Revolução Bolchevique cresceu o interesse na irrigação dos territórios da Ásia Central. A área irrigada foi extensivamente desenvolvida no começo da década de 1920, pois os soviéticos da altura (bolcheviques) estavam interessados em aumentar a produção do algodão. Em 1918, Lênin emitiu uma proclamação pedindo mais algodão do Turquestão. Para além disto, pretendiam também controlar a população rural. Nos finais dos anos 30, sob o comando de Stálin, o ministro soviético da água iniciou um projeto maciço de desvio da água a fim de irrigar as estepes do Uzbequistão, Cazaquistão e Turquestão para os preparar para a cultura do algodão. O primeiro grande projeto de irrigação iniciou a operação em 1939 com a construção do canal que rodeava o Vale de Ferghana no Uzbequistão. A caminho dos finais dos anos 40, grandes quantidades de água do Rio Sir Daria foram desviadas para fins agrícolas para Kizil-Orda no Cazaquistão e para uma zona perto de Tashkent no Uzbequistão. A produção agrícola ao longo do Sir Daria foi preparada e iniciada, com trágicas consequências para a cultura cazaque.

Evolução da paisagem do Mar de Aral

1973 1989

1999 2009

Fonte: http://otempoquehadevir.blogspot.com/2009_11_01_archive.html

Como já citado, de forma introdutória, os principais impactos no Mar de Aral são:

a) Desertificação:

Conforme já foi descrito, a culpa da catastrófica dissecação do mar de Aral é atribuída aos colossais projetos de irrigação na Ásia central durante o tempo dos sovietes. Como o nível do Mar de Aral desceu de 53 metros acima do nível do mar para 36 metros, a área da sua superfície encolheu para metade e o seu volume para três- quartos. A concentração salina duplicou. Em resultado disto, em complemento da queda dos níveis de água, a grande quantidade de terras irrigadas começou, a dada altura, a reduzir a sua produtividade devido à salinidade. Este fenômeno tem o nome de desertificação do Mar de Aral. A maioria das partes do fundo seco do lago está coberta de depósitos de bilhões de toneladas de sais tóxicos, trazidos para ali ao longo de décadas por águas infiltradas nos rios através dos campos. A área do fundo seco do lago, conhecida localmente por “deserto de Aralkum”, tem agora cerca de 40.300 quilômetros quadrados.

Durante o regime soviético, grandes áreas desta região foram utilizadas como centros militares e espaciais e, desta forma, agravou-se o problema, pois o sal está poluído por químicos. O vento soprando do lago, apanha o sal poluído pelos químicos no leito exposto e leva-o para campos de cultura à média de 75 milhões de toneladas anuais, cobrindo faixas de 40 km de largura e destruindo solos a milhares de quilômetros de distância (Sinnot, 1992). Esses sais podem destruir as colheitas de algodão logo no começo do período de vegetação. Para retirar o sal do solo é necessário regar continuamente a terra durante um período longo de tempo. Este processo requer ainda mais água fresca, o que significa mais desvios das águas fluviais e, desta maneira, isto forma uma espécie de círculo vicioso.

Por conseguinte, deserto e áreas arenosas aumentam pelo impacto do vento e mais desertificação é criada. A Academia das Ciências Uzbeque afirma que um novo deserto a sul e a leste do Mar de Aral já se expandiu para 5 milhões de hectares. Isto é muitas vezes referido ironicamente como 'deserto branco' por que os colectores de sal tóxico estão incrustados na sua superfície depois de se misturarem com Karakum (deserto negro) e Kyzylkum (deserto vermelho) que rodeiam o Mar de Aral. O enorme deserto de areia branca brilhante, que é soprada para terrenos agrícolas, contamina a terra e obriga os agricultores a compensarem a produção enfraquecida pondo mais pesticidas e fertilizantes na terra, envenenando-a ainda mais.


Cansaço dos solos e salinidade foram exacerbados pelo uso maciço de fertilizantes e pesticidas (Kekacewicz, 2000). O escoamento do sal, para além de diminuir áreas utilizáveis para a agricultura, destroi pastagens e, portanto, provoca carência de forragens para os animais. A produtividade das pastagens diminuiu para metade e a destruição da vegetação dos prados diminuiu 10 vezes a produtividade dos prados.


Barcos inutilizados no Mar de Aralb) Destruição do ecossistema dos peixes:

Antes de 1960 a pesca era um negócio em expansão. Uma indústria de pesca que fora próspera no passado, ficou afetada desfavoravelmente pelas quantidades crescentes de poluentes que entravam no Mar de Aral vindos dos rios, adicionado ao fato de nos últimos 30 anos mais de 60% do lago ter desaparecido. Em consequência disso, começaram a aumentar as concentrações de sais e minerais na contraída massa de água. A salinidade da água do Mar de Aral aumentou ao ponto de muitas das suas zonas terem a mesma salinidade do oceano. Esta alteração química provocou mudanças espantosas na ecologia do lago, causando rápidas baixas na população piscícola do Mar de Aral. O conteúdo mineral na água aumentou quatro vezes atingindo 40g/litro, impedindo a sobrevivência da maioria dos peixes e da fauna selvagem do lago. O peixe quase que desapareceu todo do que resta do lago, deixando milhares de pessoas sem meios de subsistência. Quando o Aral começou rapidamente a encolher, os barcos de pesca e as suas tripulações ficaram encalhados, algumas vezes a dezenas de quilômetros das antigas margens. Toda a pesca comercial terminou em 1982, sendo as capturas atuais insignificantes, e comunidades piscatórias inteiras estão agora desempregadas. A perda de produtividade provocou um colapso na indústria piscatória e desemprego neste sector. Em 1960, foram capturadas 43.430 toneladas de peixe no lago, caindo para 17 mil toneladas em 1970, zero toneladas em 1980, e mantendo-se a situação até hoje (Letolle e Mainguet).

Dois portos importantes, Aralsk e Moynaq, floresceram como centros piscatórios. O porto de Aralsk, situado a norte do Pequeno Aral no Cazaquistão era uma cidade bem organizada, com um estaleiro naval, uma indústria de pesca e um serviço de ferry. No estaleiro construíam-se barcos de 50 a 500 toneladas para transporte de carga e pesca no mar de Aral. A estação ferroviária de Aralsk , situada na linha de Moscovo a Tashkent e Almaty, era a ligação ferroviária mais importante da Ásia central. As cargas chegadas por via férrea costumavam ser transferidas para os barcos e transportadas para sul, para o porto de Moynaq, em Karakalpaquistão, no Uzbequistão. Em 1975, a pesca terminou no Pequeno Aral e Aralsk passou a ser um porto sem porto. Parou o serviço de balsa, a salinidade dos charcos aumentou, a caça diminuiu e o clima começou a sofrer alterações, entre outras razões por as grandes florestas de juncos e caniços terem desaparecido quando a água recolheu. Para que se mantivesse o emprego na indústria de pesca, introduziram peixe congelado oriundo de outras partes da União Soviética, como o Mar Báltico, Mar Branco e Oceano Pacífico. Este processo cessou com a desintegração da Federação.

Moynaq, situada na margem sul do Aral, além de ser um centro de indústria piscatória fora em tempos uma popular estância balnear. Não é possível imaginar o tempo em que esta cidade era um próspero local de veraneio. Multidões de turistas soviéticos juntavam-se em Moynaq para apanhar sol nas antigas praias e para nadar nas águas do Aral, famosas por curar doenças de pele. Crianças de cidades longínquas chegavam aos campos de verão para respirar o ar do mar e comer peixe fresco. Hoje em dia, Moynaq abrange com o olhar uma cintilante planura salgada, agora um cemitério de cascos enferrujados de barcos de pesca encalhados. O mar está a quilômetros de distância do passeio à beira-mar e não se vê a olho nu.

Esta situação não foi como uma consequência de um raio caído do céu. Desde 1970 que este assunto era amplamente discutido em círculos governamentais. Em 1977, a conferência soviética sobre o impacto ambiental de uma diminuição no nível do Mar de Aral, uma comunicação preparada por dois cientistas da República de Uzbeque, anunciava uma redução pronunciada de desembarques de pescado (Gorodetskaya e Kes, 1978). Outros, também por essa altura, sugeriam que a morte da pesca comercial ocorreria, provavelmente, devido à secagem dos leitos de desova dos peixes (Barovsky, 1980). Foi também sugerido no mesmo fórum, que o esgotamento dos bancos de pesca no Mar de Aral seria uma das primeiras consequências do declínio dos níveis do mar. Havia um relatório publicado num jornal da autoria de A. U. Reteyum em que este assinalava que: ...”em 1965, o Conselho de Ministros da URSS tinha aprovado uma resolução especial 'Sobre as Medidas para Preservar a Pesca – Importância do Mar de Aral.' ” Isto é um exemplo que apoia a convicção de que os sinais de deterioração na bacia do Aral eram evidentes já em meados dos anos 60 (Reteyum,1991). Nos finais dos anos 70, era já claro que os bancos de pesca do Mar de Aral estavam num declínio irreversível e que, provavelmente, se tivessem sido adaptadas medidas adequadas esta situação atual podia ter sido evitada.

c) Mudanças climáticas: Durante os últimos 10 anos a secagem do Mar de Aral trouxe alterações evidentes nas condições climáticas. O efeito do aquecimento da água do mar no inverno e o seu arrefecimento no verão diminuíram dramaticamente.

O Mar de Aral é um lago de deserto, abrangido por um clima continental forte, com uma variação de temperatura de 40 graus centígrados no verão para 30 graus negativos no Inverno. No passado, o Mar de Aral era considerado como um regulador, mitigando os ventos frios que vinham da Sibéria no Inverno e evitando que as temperaturas de Verão subissem demasiado. Notava-se uma evaporação elevada (da ordem de 1700 mm por ano). A evaporação era também a razão do bom clima ao redor de Aral antes da secagem do lago, e, apesar do alto nível de evaporação, era mantido o equilíbrio da água devido aos grandes caudais fornecidos pelos dois rios. As alterações climáticas deram origem a verões mais curtos e mais secos e invernos mais longos e mais frios na região. As temperaturas do ar no Inverno desciam e as temperaturas de Verão subiam 2 a 3 graus centígrados, incluindo observações de 49 °C. Esta mudança para um clima mais continental, com verões mais curtos e mais quentes e invernos mais frios e mais compridos, ocasionava pouca precipitação para a colheita seguinte. A precipitação foi reduzida várias vezes nas margens do Mar de Aral. A magnitude média da precipitação é de 150-200 mm com uma considerável não-uniformidade, de acordo com as estações. A estação mais prolongada baixou também para 170 dias, perdendo os 200 dias livres de geadas necessárias para as colheitas do algodão. Como já foi explicado anteriormente, a ocorrência frequente de longas tempestades de poeiras e de ventos rasteiros são traços característicos desta região. As mais intensas ocorrem na costa oeste – com, talvez, 50 tempestades por ano. A velocidade máxima do vento atinge 20-25 m/s.

d) Condições sanitárias: É opinião geral de que a crise sanitária na região está diretamente ligada ao desaparecimento do Mar de Aral. Para tornar as coisas ainda pior, as pessoas têm pouco acesso a água potável. Os produtos químicos escoados dos campos agrícolas poluíram ainda mais o Mar de Aral, tornando a sua água imprópria para consumo, quer por humanos quer por animais.

O algodão é um patrão exigente. Não só tem mais sede do que a maioria das outras colheitas comerciais, como também necessita de fortes aplicações de pesticidas para afastar gorgulhos e outras pestes. Parece frequentemente que nas mentes soviéticas a teoria era “se pouco faz bem, muito faz melhor”, — muita água, muitos pesticidas. A juntar a isto a sementeira de algodão é normalmente pulverizada com um desfolhador pelo Outono, a fim de lhe retirar as folhas para tornar mais fácil a colheita. Uma vez que a bacia é um sistema fechado sem drenagem para o exterior, os inseticidas e herbicidas pulverizados nos campos escoam para a terra, acumulando no subsolo água a níveis perigosos. Como a maior parte da água da torneira vem de poços, as pessoas bebem um coquetel de produtos químicos diluídos, alguns identificados como cancerígenos. Níveis elevados de contaminação por pesticidas são considerados como afetando a capacidade do organismo humano de absorver ferro, provocando anemia.

A água utilizada para consumo humano contém mais de 6 gramas de sal por litro, um nível quatro vezes superior à norma da Organização Mundial de Saúde. Isto tem sido relacionado com a prevalência de doenças renais. As tempestades de poeiras sopram violentamente durante mais de 60 dias por ano, espalhando resíduos tóxicos e sal deixado pela água do lago. Pensa-se que estas partículas sejam uma causa possível de doenças respiratórias e cancros. (Quando o lago eventualmente secar, calcula-se que 15 mil milhões de toneladas de sal serão lançadas na atmosfera). De acordo com Timothy Cummings, um delegado da Cruz Vermelha Americana, a trabalhar na região do Mar de Aral, a combinação de toxinas provenientes do ar e da água para consumo humano, aumentou a fraca saúde dos residentes – já susceptíveis de contrair doenças devido a alimentação deficiente.

O Relatório sobre o Ambiente da URSS, uma publicação oficial do governo, salientou que a acumulação total de pesticidas no Turcomenistão era de 20 a 25 vezes da média nacional. “Em áreas de elevada utilização de pesticidas as doenças infantis (proporção de doenças) até à idade de 6 anos é 4,6 vezes superior à das regiões de baixa proporção de pesticidas” (Jones, 1999) . De acordo com a Academia de Ciências Soviética, a taxa de mortalidade infantil na região da Ásia central aumentou entre 1970 e 1985. Em Bozataus, uma região do Karakalpaquistão, uma área simultaneamente flagelada com falta de saneamento básico, cuidados de saúde infantil e maternais inadequados, e níveis crescentes de pesticidas e herbicidas na água, 110 em cada 1.000 crianças morrem antes de fazerem um ano. Em comparação com 109 em África, 95 na Índia e 37 na China. Por exemplo, em Karakalpaquistão, a taxa do cancro do esôfago é sete vezes superior àquela do resto do país. E. Paronina, uma investigadora soviética, estudou as condições sanitárias em Karakalpaquistão e relatou as suas sombrias conclusões. Em resumo, eis o que ela afirma: “Tudo isto (crise sanitária) é o preço excessivo pago com a saúde da população para se ter auto-suficiência em algodão” (Jones, 1991). Não surpreende que toda a literatura médica local esteja repleta de histórias de deformidades à nascença, incremento de doenças renais e hepáticas, gastrite crônica, crescente mortalidade infantil e taxas de aumento de cancro.

E o futuro do Mar de Aral?

“Líderes governamentais afirmaram que a quantidade de terra para algodão será reduzida e que grandes quantidades de água serão bombeadas para o Mar de Aral até 2005” (Bech, 1995), foi dito com base em promessas políticas que não condizem até hoje com a realidade (tecnologia, capital, mão-de-obra, tempo necessário, planejamento). Funcionários da agricultura, contudo, dizem que é impossível demolir o sistema de canais. Muitos agricultores dependem dos rendimentos da cultura do algodão. O governo indicou também que as necessidades dos agricultores de algodão estão em primeiro lugar. A exportação de algodão é uma fonte importante de rendimento. As RAC não querem extirpar a monocultura do algodão e arriscar perder as suas recompensas econômicas. E assim, a maioria dos cientistas acredita que o Mar de Aral nunca irá ser como foi.

O futuro do Mar de Aral é, portanto, incerto. A única coisa certa é que o lago é agora uma catástrofe ambiental à medida que o nível de água declina e o ecossistema se degrada, provocando um ambiente de deterioração e condições de vida e de saúde precárias para os povos que vivem nas margens do lago. É agora impossível prever, com algum rigor, o futuro para o Aral, mas se não se encontrarem soluções apropriadas o nível da água continuará a declinar. Seja qual for o futuro, esta situação de certeza que abriu os olhos aos governos do mundo. É um forte aviso à comunidade internacional e ilustra a rapidez – em menos de 20 anos – como uma tragédia humanitária e ambiental pode ameaçar toda uma região e a sua população. A destruição do Mar de Aral é um exemplo clássico de desenvolvimento não-sustentado.

Principais impactos ambientais ligados à atmosfera

A atmosfera, assim como os diversos componentes do planeta, vem sofrendo alterações provenientes do aumento populacional e de seu consequente aumento de demanda por recursos naturais, o que implica, principalmente, a expansão da industrialização. Há evidências de modificações em níveis global e regional, sejam climáticas ou não.

Chuva ácida

A formação de chuvas ácidas corresponde a um fenômeno (e um problema) moderno, originado a partir do grande desenvolvimento de centros urbanos, centros industrializados. Com a liberação de poluentes à atmosfera pelas diversas fontes de poluentes gasosos (indústrias, veículos e usinas energéticas), há a combinação destes poluentes com o vapor de água existente na atmosfera. Esta combinação entre água e poluentes (como o dióxido de enxofre e o óxido de nitrogênio) vai sendo acumulada em nuvens, ocorrendo assim sua condensação, basicamente da mesma forma como são originadas as chuvas comuns. Através da eletricidade gerada do choque entre nuvens, os elementos poluentes entram em reação química, formando compostos ácidos, que mais tarde serão precipitados.

Chuva ácida. Fonte: http://fotos.sapo.pt/am23/pic/0003pg70

Na natureza, a água reage com certos óxidos formando ácidos. É o caso da reação da água com o dióxido de carbono, ou gás carbônico (CO2), formando o ácido carbônico:

H2O + CO2 ® H2CO3

Esse ácido é útil ao ecossistema, pois participa do processo químico de formação dos solos argilosos. É o ácido carbônico que reage com o feldspato, formando a argila. É interessante lembrar ainda que o ácido carbônico é um compostos instável, desdobrando-se facilmente na natureza novamente em água e dióxido de carbono.

Alguns ácidos, no entanto, são muito agressivos aos ecossistemas, sendo considerados poluentes altamente nocivos. São ácidos formados pela reação da água com óxidos liberados pelas indústrias e veículos automotivos, principalmente.

Um exemplo é o dióxido de enxofre (SO2), que reage com o oxigênio do ar, dando SO3, que em seguida com o vapor d’água da atmosfera, forma o ácido sulfúrico (H2SO4):

SO2 + 1/2O2 ® SO3

SO3 + H2O ® H2SO4

Esses ácidos caem, depois, com a água da chuva e poluem severamente o ecossistema: rios, lagoas, florestas, mares, têm seu ambiente biológico empobrecido. A população humana também sofre efeitos do que se passou a chamar chuva ácida.

O ambiente físico é bastante agredido pelos ácidos trazidos pela chuva, pois eles percolam no solo e reagem com várias substâncias, libertando produtos tóxicos, que são absorvidos pelas plantas e ingeridos por animais.

Além da agressão à natureza, a chuva ácida deixa suas marcas na arquitetura, em todo o mundo: os ácidos da chuva reagem com a superfície construída, corroendo-a e, em alguns casos, até mesmo destruindo algumas de suas partes.

Efeito da chuva ácida em estátua na Europa. Fonte: http://www.brasilescola.com/upload/e/chuva%20acida%20educador.jpg (acessado em 09/09/2010)

Efeito da chuva ácida em floresta. Fonte: http://3.bp.blogspot.com/_iEFJRPq2PuY/TBy2ofW_9aI/AAAAAAAAABA/AilUpTekzG4/s320/acid-rain-3.jpg (acessado em 09/09/2010)

No âmbito mundial, o leste dos Estados Unidos, a Europa Central e sudeste da Ásia são os locais de maior incidência.

No Brasil, como acontece em todo o mundo, a acidez da chuva está relacionada com o desenvolvimento industrial: cidades com maior número de fábricas e de veículos têm certamente, maior concentração de ácidos, no entanto, nem sempre caem onde são produzidos, pois o vento frequentemente carrega as nuvens para outras regiões, geralmente próximas.

Três exemplos de ecossistemas brasileiros nos quais se têm detectado os efeitos da chuva ácida são o Parque Florestal do Rio Doce, a Floresta da Tijuca e parte da Mata Atlântica, próxima à Grande São Paulo.

Os efeitos da chuva ácida têm sido revelados nesses e em outros ecossistemas, o que seguramente não significa serem eles os únicos atingidos; certamente, significa que eles foram estudados. O mal causado pela chuva ácida funciona como a lenta transformação de um ambiente em algo nocivo, visto que está associada a todo ciclo da água, prejudicando a vegetação tanto pela incidência nas folhas quanto pela lixiviação ácida.

O clima da Terra

A explicação do que acontece com o clima no planeta Terra foi dada pela primeira vez em 1863 pelo cientista John Tyndall que resolveu medir no seu laboratório a capacidade de absorção da radiação infravermelha de alguns dos gases que constituem a atmosfera: ozônio, oxigênio e os componentes minoritários dióxido de carbono (CO2) e gás metano (CH4). Tyndall chegou à conclusão que tanto o vapor de água como o CO2 e o CH4 são opacos à radiação infravermelha, isto é, absorvem-na, e por isso adquiriram a designação atual de gases com efeito de estufa (GEE). A discrepância encontrada anteriormente por Fourier estava

explicada: a presença de GEE na atmosfera gera um efeito de estufa natural responsável pela atual temperatura média global de 15º C em lugar de uma temperatura de cerca de -18º C, caso esses gases não existissem. Ou seja os GEE nas quantidades naturais existentes são responsáveis pelas condições de temperatura que asseguram a vida na Terra. O curioso é que esses mesmos gases, com suas condições naturais alteradas, podem ser responsáveis pela extinção da vida na Terra.

Impactos ambientais referentes ao clima

O clima, por toda a sua dinâmica (movimento das massas de ar, influência das correntes marítimas etc.), infere reflexos no ambiente como um todo, ou seja, é representado pela vegetação, solo e ciclo hidrológico. O clima é, na verdade, um conceito abstrato que descreve e critica um conjunto de comportamentos da atmosfera e suas consequências em um longo período em determinada área. Estes, por sua vez, estão intrinsecamente ligados à vegetação, ao solo e ao ciclo hidrológico de forma sistêmica, como fator determinante. Assim, como elemento de um grande sistema que é a Terra, alterações aparentemente pequenas, principalmente no clima (variação de precipitação, por exemplo), geram danos ecológicos gigantescos, cujo processo ambiental negativo se assemelha a uma reação em cadeia.

A partir de novos conjuntos de dados observacionais disponibilizados, foi possível que o relatório do IPCC de 2007 pudesse fazer uma avaliação mais abrangente das mudanças climáticas que veem ocorrendo no planeta. Os dados observados indicam que 11 dos 12 últimos anos foram os mais quentes desde que os registros confiáveis começaram, por volta de 1850. A chance de que essa sucessão de anos mais quentes tenha sido puramente casual é extremamente pequena. Mudanças na temperatura global, no nível do mar e na cobertura de neve no hemisfério Norte mostram evidências de aquecimento.

Inversão térmica

Este fenômeno ocorre principalmente nos grandes centros urbanos, regiões onde o nível de poluição é muito elevado. A inversão térmica ocorre quando há uma mudança abrupta de temperatura devido à inversão das camadas de ar frias e quentes.

Esquema de inversão térmica. Fonte: http://3.bp.blogspot.com/_Yf-I1R1i8CA/S8NyPj5XX9I/AAAAAAAAABU/GOOyQUe3SKo/s1600/inversao-termica%5B1%5D.gif (acessado em 09/09/2010).



Nos primeiros 10 quilômetros da atmosfera, normalmente, o ar vai se resfriando à medida que nos distanciamos da superfície da terrestre.
Assim o ar mais próximo à superfície, que é mais quente, portanto mais leve, pode ascender, favorecendo a dispersão dos poluentes emitidos pelas fábricas e veículos, conforme se verifica. A inversão térmica é uma condição meteorológica que ocorre quando uma camada de ar quente se sobrepõe a uma camada de ar frio, impedindo o movimento ascendente do ar, uma vez que, o ar abaixo dessa camada fica mais frio, portanto, mais pesado, fazendo com que os poluentes se mantenham próximos à superfície. As inversões térmicas ocorrem durante todo o ano, sendo que, no Sudeste, por exemplo, é no inverno que elas ocorrem mais próximas à superfície, principalmente no período noturno. Nesta época do ano as chuvas são raras, dificultando ainda mais a dispersão dos poluentes, agravando o problema.


Nas grandes cidades, podemos observar no horizonte, a olho nu, uma camada de cor cinza formada pelos poluentes. Estes são resultado da queima de combustíveis fósseis derivados do petróleo (gasolina e diesel principalmente) pelos automóveis e caminhões.

Inversão térmica em São Paulo. Fonte: http://jovempan.uol.com.br/i/thumbs/jpam/media_fotos/2008/10/23/600x450/13352.jpg (acessado em 09/09/2010).

A maneira mais comum na qual a inversão de superfície se forma é através do ar gelado perto do chão à noite. Quando o sol se põe o chão perde calor muito rápido e isso esquenta o ar que está em contato ele. Entretanto, como o ar não é bom condutor de calor, o ar logo acima da superfície continua quente. Condições que favorecem o desenvolvimento de fortes inversões de superfície são ventos calmos, céu claro e longas noites. Ventos calmos impedem o ar quente acima da superfície de se misturar com o do chão, e céus limpos aumentam a taxa de resfriamento da superfície terrestre. Noites longas permitem que o ar gelado no chão continue por um longo período, resultando em uma diminuição maior da temperatura da superfície. Já que noites no inverno são muito mais longas que as do verão, a inversão térmica é mais forte e comum nos meses de inverno. Uma forte inversão implica uma substancial diferença entre o ar gelado de superfície e o ar quente acima. Durante o dia, as inversões térmicas tendem a se tornar fracas e normalmente desaparecem. Entretanto, entre certas condições meteorológicas, como uma alta pressão sobre a área, essas inversões podem se estender por vários dias

Em um ambiente com um grande número de indústrias e de circulação de veículos, como o das cidades, a inversão térmica pode levar a altas concentrações de poluentes, podendo ocasionar problemas de saúde, principalmente das crianças, provocando doenças respiratórias. Pessoas que possuem doenças como, por exemplo, bronquite e asma são as mais afetadas com esta situação.

Soluções para estes problemas estão ligados diretamente à adoção de políticas ambientais eficientes que visem diminuir o nível de poluição do ar nos grandes centros urbanos. A substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis ou energia elétrica poderia reduzir significativamente este problema. Campanhas públicas conscientizando as pessoas sobre a necessidade de trocar o transporte individual (particular) pelo transporte público (ônibus e metrô) também ajudaria a amenizar o problema. A fiscalização nas regiões onde ocorrem queimadas irregulares também contribuiria neste sentido.

Mudanças climáticas

Nos últimos anos, testemunhos de gelo obtidos em perfurações nas calotas polares da Antártida e da Groenlândia forneceram pistas valiosas sobre como era o clima da Terra no passado, incluindo mudanças nas concentrações de gases de efeito estufa. Uma amostra de dois quilômetros de comprimento extraída nos anos 1990 da estação Vostok, na Antártida, continha bolhas de ar antigo aprisionadas no gelo que revelaram a composição da atmosfera na época em que as camadas de gelo se depositaram. O gelo de Vostok confirmou que as concentrações de CO2 e metano subiram e desceram segundo um padrão regular durante os últimos 400 mil anos.

O “fator novo” mais plausível operando no sistema climático durante o interglacial atual é a agricultura. A linha do tempo básica das inovações agrícolas é bem conhecida. A agricultura se originou na região do Crescente Fértil, a leste da bacia do Mediterrâneo, há cerca de 11.000 anos. Logo depois, apareceu no norte da China, e poucos milênios mais tarde, nas Américas. Através dos milênios posteriores, se espalhou para outras regiões e se sofisticou. Há cerca de 2.000 anos, todos os alimentos conhecidos hoje já eram cultivados em algum lugar do mundo.

A designação efeito estufa se refere ao mecanismo atmosférico natural que mantém o planeta aquecido, com temperaturas ideais para a existência de vida na Terra. Embora esse assunto esteja bastante presente nas discussões científicas atuais, trata-se de um fenômeno atmosférico que acompanha a vida do planeta desde o início da sua existência. Atualmente, costuma-se associar o efeito estufa ao aquecimento da Terra devido à poluição do ar pela concentração de gás carbônico na atmosfera proveniente da queima exagerada de combustíveis fósseis.

Fonte: www.fdr.com.br/mudancasclimaticas (acessado em 29/09/10)

Sabemos que a Terra é iluminada pelo Sol e que a vida existente aqui depende da energia luminosa irradiada por ele. Quando os raios solares atingem a superfície terrestre parte deles é absorvida pelas plantas para a realização da fotossíntese e a outra parte é refletida pela superfície terrestre em direção ao espaço. Porém devido à existência de uma camada de gases atmosféricos, grande parte do calor fica retida e não consegue sair.

O efeito estufa faz parte da dinâmica do planeta e, graças a ele, a Terra é mais quente do que o espaço, atingindo temperaturas ideais para a existência de vida. Se não houvesse essa proteção, os raios solares seriam refletidos para o espaço, o planeta perderia calor, e dessa forma, a Terra ficaria submetida a temperaturas inferiores a 10 ºC negativos.

Planetas como Vênus e Marte não possuem esse mecanismo e por isso podem atingir diferenças extremas onde as temperaturas são elevadas durante o dia, acima de 200º C, e muito reduzidas durante a noite, chegando a -100º C.

O processo de aquecimento conhecido como efeito estufa ocorre quando parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera - ozônio, oxigênio e os componentes minoritários dióxido de carbono (CO2) e gás metano (CH4) e outros. É esse mecanismo que possibilita que o calor que a Terra recebe durante o dia mantenha a temperatura elevada mesmo durante a noite.

Funciona da seguinte forma: parte do calor irradiado pelo Sol é devolvida ao espaço, porém, uma porção desse calor fica presa na atmosfera graças aos gases estufa (GEE) e é responsável por manter o planeta aquecido. O problema é que o excesso dos chamados gases estufa intensifica esse fenômeno e faz com que mais calor que o necessário seja retido na superfície do planeta provocando o aquecimento global.

Fonte: www.fdr.com.br/mudancasclimaticas (acessado em 09/09/10)

Não existe dúvida a respeito: os humanos são responsáveis pelo crescimento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa. A comunidade científica chegou a um consenso de que a humanidade alterou e continua alterando substancialmente o clima do planeta. Desde a Revolução Industrial, a temperatura global média aumentou cerca de 0,8º C. Os cientistas atribuem a maior parte deste aumento às atividades humanas que geram gases de efeito estufa, como a queima de combustíveis fósseis (gasolina, carvão e outros) e o desmatamento.

Para combater estes problemas, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima propõe estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa para evitar interferências antrópicas perigosas no sistema climático. Vários estudos independentes indicam que precisamos limitar o aquecimento global a menos de 2º C acima do nível pré-Revolução Industrial para evitar impactos perigosos sobre a natureza, a humanidade e a economia global.

Fonte:http://2.bp.blogspot.com/_XFyfWq7Szs0/S_G5ABbC_8I/AAAAAAAABLA/yhAhQbtBqKk/s400/charge_pinguim_aquecimento_.jpg (acessado em 29/09/10)

O quadro a seguir apresenta uma descrição de como podem ser afetados alguns recursos naturais do planeta e a saúde humana, no caso dos aumentos de temperatura em 2° C e 3° C.

Fonte: www.wwf.org.br (acessado em 29/09/10)

O aquecimento global pode deixar até metade do planeta inabitável nos próximos três séculos, de acordo com um estudo das universidades de New South Wales, na Austrália, e de Purdue, nos Estados Unidos, que leva em conta os piores cenários de modelos climáticos.

O estudo, publicado na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma ainda que, embora seja improvável que isso aconteça ainda neste século, é possível que já no próximo, várias regiões estejam sob calor intolerável para humanos e outros mamíferos. “Descobrimos que um aquecimento médio de 7º C causaria algumas regiões a ultrapassar o limite do termômetro úmido (equivalente à sensação do vento sobre a pele molhada), e um aquecimento médio de 12º C deixaria metade da população mundial em um ambiente inabitável”, afirmou Peter Huber, da universidade de Purdue.

Os cientistas argumentam que ao calcular os riscos das emissões de gases atuais,

é preciso que se leve em conta os piores cenários (como os previstos no estudo).

Degradação da camada de Ozônio (O3)

"Estamos frente ao maior perigo que a humanidade já enfrentou." Essas palavras foram proferidas pelo Dr. Mostafa Toba, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente. A seguir, nós vamos verificar que elas não são exageradas.

O ozônio é um gás atmosférico azul-escuro, que se concentra na chamada estratosfera, uma região situada entre 20 e 40 km de altitude. A diferença entre o ozônio e o oxigênio dá a impressão de ser muito pequena, pois se resume a um átomo: enquanto uma molécula de oxigênio possui dois átomos, uma molécula de ozônio possui três.

Essa pequena diferença, no entanto, é fundamental para a manutenção de todas as formas de vida na Terra, pois o ozônio tem a função de proteger o planeta da radiação ultravioleta do Sol. Sem essa proteção, a vida na Terra seria quase que completamente extinta.

O ozônio sempre foi mais concentrado nos pólos do que no equador, nos pólos ele também se situa numa altitude mais baixa. Por essa razão, as regiões dos pólos são consideradas propícias para a monitoração da densidade da camada de ozônio.

Desde 1957 são feitas medições na camada de ozônio acima da Antártida e os valores considerados normais variam de 300 a 500 dobsons. Unidade de Dobson (DU) é a unidade de medida do ozônio atmosférico, sobretudo do ozônio da estratosfera,visto que 90% deste gás se localiza nesta camada (“Camada de Ozônio”). No ano de 1982, porém, o cientista Joe Farman, juntamente com outros pesquisadores da British Antartic Survey, observaram pela primeira vez estranhos desaparecimentos de ozônio no ar sobre a Antártida. Como estavam usando um equipamento já um tanto antigo, e os dados que estavam coletando não tinham precedentes, em vista da grande diminuição da concentração do gás (cerca de 20% de redução na camada de ozônio), acharam por bem aguardar e fazer novas medições em outra época, com um aparelho mais moderno, antes de tornar público um fato tão alarmante. Além disso, o satélite Nimbus 7, lançado em 1978 com a função justamente de monitorar a camada de ozônio, não havia até então detectado nada de anormal sobre a Antártida.

Joe Farman e seus colegas continuaram medindo o ozônio na Antártida nos dois anos seguintes, no período da primavera, e constataram não só que a camada de ozônio continuava diminuindo como ainda que essa redução tornava-se cada vez maior. Agora estavam usando um novo equipamento, o qual lhes indicou, em 1984, uma redução de 30% na camada de ozônio, valor este confirmado por uma outra estação terrestre situada a 1.600 km de distância. Nos anos seguintes a concentração de ozônio continuou a cair na época da primavera e, em 1987, verificou-se que 50% do ozônio estratosférico havia sido destruído, antes que uma recuperação parcial ocorresse com a chegada do verão antártico.

O satélite Nimbus 7 não havia detectado as primeiras reduções na camada de ozônio por uma razão muito simples: ele não havia sido programado para detectar níveis de ozônio tão baixos. Valores abaixo de 200 dobsons eram considerados erros de leitura, e por isso não eram levados em conta…

Os cientistas não podiam prever que uma alteração tão drástica na ordem natural pudesse ocorrer, e por essa razão não haviam considerado essa hipótese.

Num artigo científico escrito em 1987, Joe Farman declarou: "Antes de 1985 todos os químicos atmosféricos pensavam que estavam no caminho certo de compreenderem o ozônio. As observações e os modelos propostos se harmonizavam. Mudanças observadas e previstas eram de menos de 1% por década. Entretanto, sobre a Antártida a destruição é hoje em dia superior a 50%, e isto por um período entre 30 e 40 dias a cada ano."

Naquela época Joe Farman ainda não podia imaginar que a destruição ainda aumentaria muito mais nos próximos anos, que o buraco se alargaria, que sua ocorrência não ficaria restrita a alguns dias por ano, que apareceria um segundo buraco no Ártico e que surgiriam outros pontos no globo com decréscimo do nível de ozônio.

De fato, já mesmo em 1987 foram detectadas ocorrências menores, apelidadas de "mini-buracos", que apareceram próximos à região polar. O próprio buraco antártico apresentou variações inconcebíveis naquele ano: em outubro havia desaparecido nada menos que 97,5% do ozônio detectado em agosto, na altitude de 16,5 km.

Em seu livro O Buraco no Céu, publicado em 1988, John Gribbin afirma que mesmo que não houvesse sido detectado o buraco no ozônio na Antártida, os anos de 1986 e 1987 já teriam dado motivos de sobra para preocupação. Medições de satélite indicaram, já naquela época, uma "impressionante diminuição geral na concentração de ozônio estratosférico ao redor do globo." Essa redução já havia alcançado o sul da América do Sul, Austrália e Nova Zelândia, esta última com um decréscimo de 20%. A Suíça também mostrou preocupação na época, quando medições feitas com instrumentos em terra revelaram um estreitamento da camada de ozônio sobre o país.

Em 1991, a NASA anunciou que o ozônio estratosférico sobre a Antártida havia atingido o nível mais baixo até então registrado: 110 dobsons para um nível esperado de 500 dobsons. Também em 1991, o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA) revelou que, pela primeira vez, estava-se produzindo uma perda importante do ozônio tanto na primavera como no verão, e tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul, em latitudes altas e médias. Este fato fez crescer a apreensão geral, já que no verão os raios solares são muito mais perigosos que no inverno.

Em 1992 verificou-se que havia-se formado um buraco também sobre o Ártico, com uma redução de 20% do ozônio. O novo buraco do Ártico não só permaneceu como continuou aumentando: nos três primeiros meses de 1996 ele cresceu mais de 30%, estabelecendo um novo recorde.

Ainda em 1992 os pesquisadores constataram que a destruição estava se generalizando mais ainda, ocorrendo de forma global desde a Antártida até o Ártico, nos trópicos e nas regiões de latitudes médias, com uma redução variando entre 10% e 15%. A partir daquela época, os habitantes das ilhas Falklands/Malvinas passaram a ficar expostos ao buraco todos os anos durante o mês de outubro.

A figura seguinte mostra a variação do buraco na Antártida ano a ano, de 1979 até 1992. Observa-se um crescimento contínuo durante a década de 80, com ligeira redução de suas dimensões nos anos de 1986 e 1988. A partir de 1989 até 1992, porém, o buraco não se reduz mais.

Evolução da degradação da camada de ozônio (1979 – 1992). Fonte: http://www.library.com.br/Filosofia/imagens/ozonio-monitoracao.gif (acessado em 30/09/10)

Em setembro de 1994, 226 cientistas de 29 países entregaram à OMM um relatório onde afirmavam que de 1992 a 1994 haviam sido registrados "níveis recordes" de destruição da camada de ozônio.

Algumas mudas de árvores estão mostrando um desenvolvimento deformado nesta primavera austral, enquanto certos tipos de algas marinhas estão segregando um pigmento vermelho nunca observado anteriormente.

Em Punta Arenas, há medo e preocupação em torno do bombardeamento invisível de radiação ultravioleta B. Ninguém sai de casa sem a proteção de chapéus ou óculos escuros. Os médicos vêm sendo insistentemente procurados por pacientes portadores de alergias e irritações oculares e dermatológicas.

Segundo a NU (Nações Unidas), além de prevenir milhões de novos casos de câncer de pele e catarata ao ano, a proteção da camada de ozônio também trouxe outros benefícios, como ajudar a diminuir o efeito estufa. A relação é simples: uma vez que muitas substâncias destruidoras da camada de ozônio também são causadoras do efeito estufa, sua proibição geraria também a diminuição do aquecimento global.

O estudo foi revisado por 300 cientistas de todo o mundo e é uma parceria do UNEP (Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas) e da UN WMO (Organização Meteorológica Mundial); ele foi apresentando ontem, o Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio.

A queda da destruição de ozônio no mundo seu deu graças à eliminação de quase 100 substâncias antes usadas em produtos como refrigeradores e sprays em lata. A NU espera que a camada fora das regiões polares se recupere a níveis anteriores a 1980 antes da metade do século; no entanto, as projeções indicam que o buraco sobre a Antártica deve levar muito mais tempo para se fechar já que, infelizmente, a quantidade de ozônio no mundo ainda não está aumentando – apenas parou de cair.

Em 2010, as reduções de substâncias destruidoras de ozônio (expressas em equivalente de CO2) foram de 10 gigatoneladas. Os esforços foram classificados como um sucesso pelo Diretor do UNEP, Achim Steiner.

O combate a destruição da camada de ozônio começou com a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987, no Canadá. Sem as medidas adotadas de lá para cá, os efeitos negativos teriam aumentado 10 vezes até 2050 – elevando em mais de 20 milhões os casos de câncer de pele e 130 milhões os de cataratas e prejudicando a agricultura, a fauna e a flora do planeta.

Segundo estudos e recentes relatórios das Nações Unidas, a previsão de recomposição da camada de ozônio deve se prolongar ainda mais, visto que o escudo natural que protege a vida na Terra de níveis nocivos de radiação ultravioleta não está mais diminuindo.

Imagem da NASA mostrando o tamanho do buraco na camada de ozônio em 14/09/2010. Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/fotos/camada-de-ozonio-2010-20100917165012.jpg (acessado em 30/09/10)

Ilha de calor

Trata-se de um fenômeno climático que ocorre a partir da elevação da temperatura de uma área urbana se comparada a uma zona rural, por exemplo. Isso quer dizer que nas cidades, especialmente nas grandes, a temperatura é superior a de áreas periféricas, consolidando literalmente uma ilha (climática).

Ilha de calor. Fonte: http://www.dicionario.pro.br/dicionario/images/8/8e/UHI_profile_i18n.png (30/09/10)

A oscilação de temperatura entre o centro de uma grande cidade e uma zona rural pode variar entre 4°C, 6°C ou até mesmo 10°C; o que proporciona muitos inconvenientes à população em virtude dos incômodos que o calor excessivo provoca, sem contar que ocasiona um significativo incremento no consumo de energia elétrica, usada para funcionar refrigeradores (ar condicionado), principalmente para climatizar residências, escolas, universidades, comércio e indústrias.

Evidências e divergências quanto às mudanças climáticas

Glaciólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Cárdia Simões acrescenta que, além de analisar o modelo de desenvolvimento, o debate sobre mudanças climáticas não pode deixar de levar em consideração o ciclo natural do planeta. “Uma das grandes questões científicas atuais é separar o que é do quadro natural da variabilidade do clima e o que é resultante da interferência humana. Então, a pergunta é a seguinte: até que ponto a ação humana está influenciando essas mudanças em um grau além do que é esperado?”. Ele faz uma ressalva importante sobre o tom alarmista do tema: “A ciência não é perfeita e nem pode ser apresentada como tal. O IPCC faz previsões e é arriscado tratá-las como verdades absolutas, pois se elas não ocorrerem, o público pode deixar

de acreditar na ciência e deixar de acreditar que é preciso ter uma reformulação de valores, de cultura de um padrão de desenvolvimento”, complementa. Ildo Sauer, professor titular de energia da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Petrobras, vai além dos debates científicos. Em uma longa colaboração para a revista Retrato do Brasil de setembro de 2007 – uma edição com várias críticas sobre a questão do aquecimento global –, ele ressalta: “A lei do universo é a mudança. Persistem ainda dúvidas científicas razoáveis sobre a magnitude e mesmo a direção de fatores naturais e antropogênicos que afetam o clima. Então, o debate científico profundo deve continuar. Mas, mais quente ou mais fria, com intensificação ou redução do ciclo hidrológico, das correntes marítimas, da elevação do nível do mar, a questão maior continua sendo política. Como organizar a produção, como reparti-la socialmente, entre as classes sociais, dentro dos países, entre os países, e qual o papel do Estado”.

Já o chefe do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, professor Luiz Carlos Baldicero Molion, é enfático: “Não é verdade que a Terra esteja aquecendo devido às atividades humanas”. Ele diz que a queima de combustíveis causada pelas atividades industriais e de transportes não é suficiente para interferir no clima global. Além disso, defende que o planeta parou de se aquecer em 1998. “Aquecimento e resfriamento são eventos cíclicos: há períodos em que o planeta esfria e outros em que se aquece. Portanto, com base em dados, e não em simulações e modelos de clima, que são imperfeitos, a maior probabilidade é que volte a ficar frio agora e que nesses próximos 15 ou 20 anos a temperatura global diminua cerca de 0,2 graus centígrados”, explica Molion. Ele vai além e lembra que no fim dos anos 40, já no período pós-guerra, começou um resfriamento. “Justamente quando houve aumento da atividade industrial, época em que a globalização começou. Ou seja, essa contradição nos faz concluir que a queima de combustíveis fósseis não provoca aquecimento do planeta”.

Apesar de rebater a tese do aquecimento global antropogênico, Molion destaca

a importância da mudança da relação do ser humano com a natureza. “O que estou afirmando não justifica o fato de termos uma cultura de desenvolvimento predatória. A conservação do planeta é necessária, mas não com a justificativa das mudanças climáticas”.

Em tom mais provocativo, José Carlos de Almeida Azevedo, doutor em física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e ex-reitor da Universidade de Brasília, é categórico: “Há quase 20 anos o IPCC patrocina a novela do aquecimento global. Não há nenhuma prova de que o CO2 é responsável pelas mudanças climáticas, mas é certo que o Sol e a água (nuvens, vapor d’água, cristais de gelo) condicionam a temperatura e o clima na Terra. O IPCC e seus 2.500 ‘cientistas’, porém, culpam o CO2”. Ele diz que o CO2 lançado na atmosfera pelos combustíveis fósseis é irrisório em relação a emissões de outras origens. Na respiração animal, são emitidos 60 Gt/ano (bilhões de toneladas por ano); nos oceanos, 90 Gt/ano; na queima de combustíveis fósseis, 5,5 Gt/ano; na queimada de florestas, 1,6 Gt/ano; pela vegetação (fotossíntese), 61,4 Gt/ano. Além disso, o CO2 emitido não permanece eternamente na atmosfera, mas é reabsorvido pelos oceanos em cerca de 92 Gt/ano.

Já o professor de Economia da USP, José Eli da Veiga, e o mestrando em

desenvolvimento econômico pela UNICAMP, Petterson Vale, no artigo Baixaria sobre o Aquecimento Global, publicado na Folha de S. Paulo de 25/09/08, apresentam uma contra-argumentação mais do que razoável: independentemente ou não da concordância em torno das causas e da dimensão das mudanças climáticas, não deveria ser uma política pública global a redução da matriz fóssil em função de todos os problemas – geopolíticos, de saúde pública, etc. – gerados por esse tipo de combustível, inclusive seu potencial esgotamento nos próximos anos?

O Nordeste e as mudanças climáticas

O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos. No Brasil, a situação não foi diferente. Entre 1980 e 2005, as temperaturas máximas medidas no estado de Pernambuco, por exemplo, subiram 3º C. Modelos climáticos apontam que, nesse ritmo, o número de dias ininterruptos de estiagem irá aumentar e envolver uma faixa que vai do norte do Nordeste do país até o Amapá, na região Amazônica.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que aconteceu de 25 a 30 de julho de 2010, em Natal, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Além da expansão da seca, o pesquisador frisou que o Nordeste deverá sofrer também com as alterações nos oceanos, cujos níveis vêm subindo devido ao aumento da temperatura do planeta. Isso ocorre não somente pelo derretimento das geleiras, mas também devido à expansão natural da água quando aquecida.

Cidades que possuem relevos mais baixos, como Recife (PE), sentirão mais o aumento do nível dos oceanos. E Nobre alerta que a capital pernambucana já está sofrendo as alterações no clima. “Com o aumento do volume de chuva, Recife tem inundado com mais facilidade, pois não possui uma rede de drenagem pluvial adequada para um volume maior”, disse.

Alagamento em Recife. Fonte: http://3.bp.blogspot.com/_sDHyZ7Cu8nY/TBqJGUGdAVI/AAAAAAAAHHY/RhOc1KP-LgE/s1600/ruaalagada.jpg (acessado em 30/09/10)

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da região Nordeste seria a constante associação entre seca e pobreza. A pobreza, segundo o pesquisador, vem de atividades não apropriadas ao clima local e que vêm sendo praticadas ao longo dos anos na região. Plantações de milho e feijão e outras culturas praticadas no Nordeste não são bem-sucedidas por não serem adequadas à caatinga, segundo Nobre. “A agricultura de subsistência é difícil hoje e ficará inviável em breve. Para que o sertanejo prospere, teremos que mudar sua atividade econômica”, disse. O cientista citou um estudo feito na Universidade Federal de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que o desemprego no Nordeste tenderá a aumentar caso as atividades econômicas praticadas no interior continuem.

Nobre sugere a instalação de usinas de energia solar como alternativa. “A Europa está investindo US$ 495 bilhões em produção de energia captada de raios solares a partir do deserto do Saara, no norte da África. O mercado de energia solar tem o Brasil como um de seus potenciais produtores devido à sua localização geográfica e clima, e o Nordeste é a região mais adequada a receber essas usinas”, indicou. “Ficar sem chuva durante longos períodos é motivo de comemoração para um produtor de energia solar”, disse Nobre, que ressaltou a importância dessa fonte energética na mitigação do aquecimento, pois, além de não liberar carbono, ainda economiza custos de transmissão por ser produzida localmente.

Cadeia ecológica alterada

O cientista inglês Visser realizando pesquisas com uma determinada espécie de pardal identificou que os mesmos botaram seus ovos quase na mesma data do ano anterior, como faziam desde 1985. Mas, no decorrer desse mesmo período, a temperatura de primavera subiu na área, especialmente em meados da estação (entre 16 de abril e 15 de maio), quando sofreu um aquecimento de 2° C. E, apesar de o cronograma dos pardais não ter mudado com este aquecimento, o das mariposas de lagartas – com as quais essas aves alimentam seus filhotes (junto com outras espécies menos abundantes) – mudou. O pico de abundância das lagartas chega atualmente 15 dias mais cedo, em comparação a 1985 (quando ocorria quase precisamente quando os pardais chocavam). Agora, na época em que a maioria dos filhotes sai da casca, a estação das lagartas está terminando e o alimento é mais escasso. Somente os primeiros filhotes conseguem apanhar os vermes.

Nesta teia alimentar, não apenas os pássaros ou as lagartas estão fora de sincronia, ou “desacoplados”, como Visser prefere dizer. O cientista também examina na cadeia alimentar, a relação entre a mariposa e seu alimento – folhas novas e tenras de carvalho. Para sobreviver, a lagarta precisa sair do casulo quando eclodem os brotos, quando as folhas de carvalho se abrem. Se o inseto nascer mais que cinco dias antes disso, morrerá de fome. Também morrerá se nascer mais de duas semanas depois, porque as folhas de carvalho tornam-se não comestíveis devido à infusão de tanino. Visser descobriu que, no parque Hoge Veluwe, a brotação do carvalho ocorre agora cerca de 10 dias antes que há 20 anos. As lagartas nascem 15 dias mais cedo, supercompensando em cinco dias a mudança dos carvalhos. As lagartas

já estavam eclodindo vários dias antes da brotação em 1985, portanto, hoje, devem esperar em média cerca de oito dias.

Impactos gerados por usinas nucleares

Os resíduos nucleares resultam da produção da Energia Nuclear e nem sempre podem ser reaproveitados. Desta forma é fundamental isolar estes mesmos resíduos para que não haja qualquer fuga que possa comprometer de alguma forma o equilíbrio do meio ambiente. Em muitos casos, estes resíduos são armazenados nas próprias centrais e depois colocados a grandes profundidades. Também as fugas de radiação provenientes das centrais e, mesmo, de um armazenamento defeituoso desses resíduos pode contribuir para o agravamento do desequilíbrio ambiental. Assim, a existência de resíduos nucleares aliados às fugas de radiação podem causar os mais variados tipos de poluição: poluição térmica, derivada da refrigeração das centrais nucleares; poluição química, causada pelo tratamento de minérios de urânio e pelo reprocessamento do combustível irradiado, apesar de nas centrais nucleares este tipo de poluição praticamente não se verificar; Poluição radioativa, através da libertação de radionuclidos (átomos em equilíbrio energético instável por terem prótons e/ou nêutrons em excesso) para a atmosfera. Para além destas formas de contaminação do ambiente, há que realçar os danos causados nos seres vivos, nomeadamente através das mutações cromossômicas e gênicas, que podem comprometer ainda mais todo o equilíbrio a nível dos ecossistemas. Os danos causados no meio ambiente seriam depois agravados se ocorresse algum acidente nuclear.

Acidente nuclear de Chernobyl

O acidente da usina nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986, às 01h23min (aproximadamente), representa o pior episódio da história deste tipo de energia.

Segundo Roger Findley, vice-diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Illinois – em Champaign-Urbana (EUA), “o reator de grafite de Chernobyl era de um tipo não comum fora da União Soviética. Aparentemente, a vantagem de um reator de grafite é a sua utilidade na produção de plutônio para armas nucleares. O reator tinha um sistema rudimentar de emergência e, mais importante, não continha nenhuma estrutura de controle da radioatividade liberada em caso de acidente.”

Acidente nuclear de Chernobyl. Fonte: www.oarquivo.com.br (acessado em 04/10/10)

Quando o reator sofreu uma perda massiva de líquido refrigerante, os bastões de combustível se aqueceram a uma temperatura muito alta. A água restante no sistema se transformou em vapor e reagiu com o grafite e combustível para produzir hidrogênio inflamável e outros gases, que explodiram. O prédio do reator foi destruído, assim como alguns estabelecimentos mais próximos. O fogo liberou uma nuvem de fumaça e radiação, que foi levada pelo vento para outras partes da Europa. Diversas nações impuseram restrições ao consumo e importação de produtos alimentícios. A contaminação radioativa atuou em, aproximadamente, mil quilômetros quadrados ao redor da usina, causando milhares de mortes e enfermidades.

Órfão afetado por partículas radioativas. Fonte: http://portalmie.com/net/wp-content/uploads/2009/09/poluicao2.jpg (acessado em 04/10/10)

As partículas radioativas liberadas no maior acidente nuclear da história continuam a se acumular, afetando até 5,5 milhões de pessoas e levando a um grande aumento dos casos de câncer da tireóide. O acidente também arruinou a perspectiva econômica de áreas e nações adjacentes. “A Bielorússia é um país agrícola mas, por causa de Chernobyl, perdeu acesso aos mercados mundiais para vender sua produção”, explica Stephan Robinson, diretor da Cruz Verde da Suíça, grupo ambiental que colaborou com o relatório.

Tal evento negativo é mais provável em locais com déficit na técnica ou por motivos político-administrativos arriscados.

Pegada ecológica e desenvolvimento sustentável

Em junho de 1992, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidades sobre Ambiente e Desenvolvimento veio reafirmar a importância da garantia de uma vida saudável e produtiva para todos, embora não excedendo os limites da natureza. A pegada ecológica mede a exigência humana na biosfera. A pegada de um país inclui a área necessária para manter o consumo da população humana da zona de cultivo (alimentos, rações de animais, fibras e óleo); dos prados e pastos (pastoreio de animais para a obtenção de carne, peles, lã e leite); das zonas de pesca (peixe e marisco), e das áreas de floresta (madeira, fibras de madeira, pasta e lenha).

Pegada ecológica por país (hectares globais).

Fonte: http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSRs3Hyu5ArJ18qiWriX_GMBxgesIM-_Ov46-LJfplu8DMMfqA&t=1&usg=__r75EqHXm-zvGEKb_CO_lyv5etR4= (acessado em 06/10/10)

Nos 11 anos seguintes a essa conferência, entre 1992 e 2003, a pegada ecológica média por pessoa, medida em hectares globais constantes, em países de rendimentos baixo e médio alterou-se um pouco, enquanto a pegada média por pessoa em países de rendimento alto aumentou em 18%.

Durante os últimos 40 anos, a pegada média em países de rendimento baixo rondou 0,8 hectare global por pessoa. A pegada energética demonstra a maior disparidade por pessoa entre os países de rendimentos alto e baixo. Tal se deve, em parte, ao fato de as pessoas poderem comer apenas uma quantidade limitada de alimentos, enquanto o consumo da energia é definido principalmente pela capacidade de pagamento do consumidor.

Vários estudos e conferências levaram a humanidade ao conceito de desenvolvimento sustentável. A Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu criar, na década de 1980, uma comissão para efetuar um amplo estudo dos problemas globais de desenvolvimento e ambiente. Em 1987, essa comissão apresentou o Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), no qual surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, que preconiza um sistema de desenvolvimento sócio-econômico com justiça social e em harmonia com os sistemas de suporte da vida na Terra. Desde então, oficializou-se o reconhecimento global de necessidades da manutenção do equilíbrio ambiental e do alcance de justiça social. Em tais circunstâncias, haveria uma melhor qualidade d vida coletiva, com as necessidades básicas da humanidade atendidas, sem que houvesse o comprometimento do suprimento de recursos naturais e da qualidade de vida das futuras gerações.

É importante ressaltar que o desenvolvimento sustentável vem sendo instrumentalizado por algumas empresas/corporações, cujo marketing, muitas vezes, traz a ideia central de que a tentativa de restituição de recursos naturais compensa a degradação em sua magnitude, como se assim houvesse um equilíbrio. Camuflam objetivos político-econômicos em meio às atitudes socioambientais que não surtirão efeitos significativos no que se refere à sustentabilidade, porém com efeitos expansivos nas mídias de massa. Chegamos ao contexto do “Ecocapitalismo” ou “Capitalismo Verde”. O capitalismo tingiu-se de verde ao longo do século XX pela predominância comercial do dólar americano, a moeda mais influente do mundo. Na virada da primeira década do século 21, percebe-se que a economia global continuará marcada pelo verde, só que de outra fonte: o meio ambiente.

A urgência de mitigar os danos causados pela exploração ambiental, que está aquecendo o planeta, combinada com a necessidade de desenvolvimento econômico e geração de empregos, levará a humanidade a tirar lucro da preservação. E isso já está ocorrendo.

Sementes da nova economia verde vêm sendo plantadas, principalmente, em três diferentes campos: fontes de energias limpas e renováveis, reciclagem de materiais e diminuição da emissão de gases do efeito estufa, que gera créditos de carbono.

Juntas, estas áreas fizeram o mundo faturar cerca de R$ 850 bilhões no ano passado (2009). Só no Brasil, empresas e governos investiram perto de R$ 47 bilhões em projetos ambientais com viés econômico. Todas elas gastaram para lucrar e foram atraídas exorbitantemente mais pelas oportunidades do que por consciência ecológica.

Ecocapitalismo. Fonte: http://4.bp.blogspot.com/_Aa_v-Vh45JE/SYtzm53zCeI/AAAAAAAADj8/2q6w-0XyxR4/s400/6f3ff7135bd6.gif (acessado em 06/10/10)

Os créditos de carbono são certificados gerados por projetos que, comprovadamente através de metodologias, reduzam ou absorvam emissões de gases do efeito estufa. Os compradores destes créditos são empresas ou governos de países desenvolvidos que precisam alcançar metas (instituídas pelo Protocolo de Quioto, pela própria empresa ou outros programas) de redução destas emissões, e os vendedores são diversificados dependendo do país de origem do projeto.

Tabela de correspondência entre a redução da emissão de “gases-estufa” (cada tonelada), e os créditos de carbono.Fonte:http://1.bp.blogspot.com/_csuN03puiHo/R7NexCy7clI/AAAAAAAAAE4/FQ7y4orWHso/s400/brasil_pode_ganhar_pop2_349x293.jpg (acessado em 06/10/10)

Um dos mecanismos a que os países desenvolvidos podem recorrer para cumprir a meta do protocolo de Kyoto é comprar esses créditos de carbono de países que diminuíram suas emissões. Assim, uma empresa brasileira, por exemplo, pode desenvolver um projeto para reduzir as emissões de suas indústrias. Esse projeto passa pela avaliação de órgãos internacionais e, se for aprovado, é elegível para gerar créditos. Nesse caso, a cada tonelada de CO2 que deixou de ser emitida, a empresa ganha um crédito, que pode ser negociado diretamente com as empresas ou por meio da bolsa de valores. Porém, os países só podem usar esses créditos para suprir apenas uma pequena parte de suas metas. Mesmo com essa restrição, o mercado de crédito de carbono está em pleno desenvolvimento, principalmente por causa do chamado mercado voluntário. Nele, mesmo países que não precisam diminuir suas emissões ou que não assinaram o Protocolo de Kyoto podem negociar créditos. Segundo um relatório divulgado por duas organizações americanas do setor de mercado ambiental, Ecosystem Marketplace e New Carbon Finance, em 2008 o mercado voluntário de carbono movimentou 705 milhões de dólares, por um preço médio de 7,34 dólares por crédito de carbono. O Brasil é um dos países que mais formulam projetos que geram créditos de carbono e que a expansão desse mercado é inevitável. "É muito difícil para os países desenvolvidos conseguirem atingir suas metas. Desde que o Protocolo de Kyoto foi assinado, houve um aumento populacional, acompanhado do aumento da necessidade de insumos. E isso acarreta um aumento natural da emissão de poluentes.

Fonte: http://www.revistaecoenergia.com.br/revista/ed01n04_1.jpg

De acordo com o país de origem ou do esquema em que são negociados os créditos, eles podem ter várias formas (todos equivalentes a uma tonelada de dióxido de carbono reduzida):

- RCEs (Reduções Certificadas de Emissões) Certificados resultados de projetos de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL).

- ERUs (Emission Reduction Units – Unidades de Redução de Emissões) Certificados resultantes da Implementação Conjunta.

- AAUs (Assigned Amount Units – Unidades de Quantidades Atribuídas) Quantidade de gases do efeito estufa que cada país do Anexo B do Protocolo de Kyoto pode emitir durante o primeiro período de compromisso. Podem ser negociadas.

- EUAs (European Union Allowances – Permissões da União Européia) Unidade negociável sob o esquema de comércio de emissões da União Européia.

- VERs (Verified Emissions Reduction – Reduções Verificadas de Emissões) Certificados resultantes de projetos negociados no mercado voluntário de carbono.

- VCS (Voluntary Carbon Standard) Um dos padrões para desenvolvimento de projetos voluntários.

As quantidades de toneladas de CO2 ou outros gases economizadas ou sequestradas da atmosfera são calculadas por empresas especializadas de acordo com determinações de órgãos técnicos da ONU (no caso do Protocolo de Quioto). Por exemplo, uma tonelada de óleo diesel trocado por biodiesel gera o direito a 3,5 toneladas de créditos. Um hectare de floresta de eucalipto absorve por hectare, por ano, 12 toneladas de gás carbônico. Um grande aterro sanitário que capte o metano e o transforme em eletricidade, pode ter o direito a milhões de toneladas de créditos por ano (Dados do Jornal do Meio Ambiente).

Diagrama do desenvolvimento sustentável.

Fonte: http://andrews102g32007.files.wordpress.com/2007/09/img_desenv.jpg

O desenvolvimento sustentável, portanto, consiste em um compromisso para a melhoria do bem-estar humano, com a limitação de que este desenvolvimento se concretize dentro dos limites tecnológicos da biosfera. O progresso com vista ao desenvolvimento sustentável pode ser avaliado através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como um indicador do bem-estar, e da Pegada

Ecológica como uma medida da exigência humana na biosfera.

O PNUD considera um valor do IDH de mais de 0,8 para a classificação de “alto desenvolvimento humano”. Uma Pegada Ecológica inferior a 1,8 hectare global por pessoa, a biocapacidade média disponível por pessoa no planeta, torna as exigências, em matéria de recursos de um país, globalmente replicativas.

O desenvolvimento sustentável de sucesso envolve o mundo como um todo correspondendo a ambos os critérios mínimos. Em 2003, a Ásia-Pacífico e a África estavam utilizando, em nível regional, uma quantidade inferior à média mundial da biocapacidade por pessoa, enquanto a UE-25 e a América do Norte ultrapassavam o limiar definido para o alto desenvolvimento humano. Nem o mundo como um todo, nem nenhuma região, satisfizeram ambos os critérios para o desenvolvimento sustentável. Devem-se rever os padrões de consumo – enquanto sociedade capitalista – a que estamos submetidos –, por que até mesmo se a população mundial for reduzida consideravelmente, mas a cultura consumista continuar crescente, o tormento de um mundo cada vez mais insustentável perdurará.

Livros indicados:

MENDONÇA, Francisco. Geografia e Meio Ambiente. São Paulo: Editora Contexto, 1998.

FAIRCHILD, Thomas Rich; TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, Maria Cristina Motta de; TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra – 2ª edição. São Paulo: IBEP Nacional, 2009.

VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI. Garamond: Rio de Janeiro, 2005.

Vídeos indicados:

Uma verdade incoveniente. [Por Al Gore]

A história das coisas (The story of the stuff). [Resultado de 10 anos de estudos de Annie Leonard]

Impactos Ambientais. [http://www.youtube.com/watch?v=WKcoQVEy7vg]

10 comentários:

  1. muito bom, muito obrigada pela ajuda! :)

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  2. Estou fazendo um trabalho escolar sobre impactos ambientais e este blog ajudou muito :)
    valeeus

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  3. Ajudou muito em bom de mais...
    gostaria de saber mais sobre impactos causados por industrias alimenticias diretamente mas mesmo assim obrigada...

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  4. uma matéria muito importante para a compreensão de como está o processo de degradação ambiental no mundo.

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  5. EU GOSTEI MUITO ESPERO QUE VOCÊ TAMBÉM, SE DIVERTE

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  6. pucha vida,que material maravilhoso, parabéns por todos do blog muito bem explicado continua assim que vocês irão longe, estamos precisando de pessoas assim sabem o que estão fazendo e falando

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  7. ....mt bom!....Vlw!...enriqueceu minha pesquisa acadêmica....





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  8. http://geografandosobreimpactosambientais.blogspot.com.br/
    Amei!!

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